23.8.12

raison d'être

não encontro motivos,
 de novo,
não sei desejar coisas,
não sei ter vontades,
não sei sonhar.

existo apenas,
e os dias passam por mim
folhas sopradas pelo vento,
roçado-me a cara por vezes,
prendendo-se ao meu cabelo,
enfiando-se nos meus olhos,
mas sempre insignificantes.

porque devo continuar?

em mim não há nada que me faça estar,
nos outros não sinto desejo de me ver estar.

porque não parar por aqui,
dizer que já chega,
que me fartei de tudo,
que não quero mais sofrer para poder ser feliz um dia?

um dia,
mais tarde,
eventualmente,
um dia.

mas o dia não chega.
o dia não vai chegar.
os dias passam por mim sem me tocar,
e cada dia estou mais longe de quando fui feliz
e cada dia estou mais perto de quando for velho
e cada dia é sempre igual ao dia anterior,
mas um pouco mais pesado,
sempre mais pesado,
até que um dia,
não vou querer aguentar o peso nas minhas costas.

até que um dia,
não vou querer abrir os olhos para ver a chuva e o frio.

até que um dia,
não vou querer mexer-me para que outros tenham coisas
(que minha é apenas a dor,
 que minha é apenas a felicidade
  (está perdida, essa,
   não sei onde a deixei)
 que meus são apenas os cigarros que fumo
 para não ter tempo de pensar).

até que um dia,
os dias deixaram de passar e serei eternamente nada,
de verdade.


20.8.12


 I have dreamt stuff you couldn't imagine.
 Attack ships? Ah, that's for lame replicas of humans.
 I have dreamt of planets rebuilt for war, hollowed out rocks, armed
with energy beams so powerful they can kill stars.
 I have dreamt of gates where you could fly a galaxy through.
 I have dreamt of aliens and monsters and beasts, all frolicking
together on the blue grass under the green sun of a distant star.

 I have had dreams of fame and fortune, I have had dreams of
poverty and famine,
I have dreamt of the ending of the universe and me, laughing at it,
alone as always.
 I have dreamt of streets and rivers and skies filled with moving boxes,
by men driven and driving men.
 I have dreamt of the beginning of the universe and me, crying at it,
alone as always.
 I have dreamt of books,
 I have dreamt of movies,
 I have dreamt of games,
 I have dreamt of code, line after endless line of code,
green over black, procedure after procedure, methods that call methods,
recursive cascades of instructions.
 I have dreamt of a pen,
slowly writing my life.
 I have dreamt of a old notebook dusty as time it self,
of the lines that I wrote in it,
of the names that I loved in it,
of the times that I cried to it.
 I have dreamt of boys and of girls,
 I have dreamt of sex and love,
 I have dreamt of fear and happiness,
 I have dreamt of nothing,
  for days unending,
  I dreamt of nothing
  but the darkness.

 I have dreamt of you, but as I always do,
woke up alone.

15.8.12

criogenia encharcada em lágrimas secas

tenho estado congelado,
parado no tempo,
nada se passa,
nada existe,
nada muda.

tenho medo do dia em que o tempo recomeça a contar,
tenho medo do fim do mundo
que está a chegar.

cedo,
dizem-me as vozes na minha cabeça,
cedo,
irás deixar de ser livre,
irás deixar de ser feliz,
irás deixar de ter rumo,
cedo,
irás desaparecer,
apenas mais um fato escuro,
ninguém na imensidão da humanidade,
uma pinga à deriva,
seguindo todas as outras.

cedo,
o tempo acaba.
cedo,
o universo será não mais,
e eu,
tremendo,
encolhido a um canto,
chorando lágrimas de raiva e frustração.

cedo,
a minha espada irá quebrar,
o meu escudo lascar,
a minha armadura enferrujar,
e eu serei mais um apenas,
trabalhando de sol a sol,
minhas mãos velhas segurando uma enxada
e minha alma,
mais velha ainda,
chorando por se sentir só.

sou um trapo velho e amarrotado onde escrevi meus medos e tristezas,
e com ele limpo estas folhas de papel imaginário,
e nele derramo todas as lágrimas que meus olhos não sabem chorar.

sou um poço de desilusões,
minhas e de outros!,
e nelas nado contente em saber que nunca serei ninguém,
é tão mais fácil chorar o que nunca terei
do que procurar o que posso ter.

ainda hoje te sinto no pulsar das minhas veias,
apertando-me o coração e cortando-me a respiração :
não te sei falar, porque em cada palavra
tenho medo de te perder.




27.6.12

vozes

"não desejo sumo,
 mas lábios.


 não quero beber,
 quero beijar!


 alimentar-me-ei do teu sorriso,
 e o meu dever único : 
 cultiva-lo e vê-lo crescer."


"será engraçado de ver" - interrompe o narrador, copo de vinho na mão,
cigarro mal aceso no canto dos lábios - "um troglodita a arar a terra!"


"farei da tua felicidade
 a razão do meu acordar!"


"esqueçam o pobre coitado," - o narrador de novo, copo agora vazio,
e o cigarro ainda queimando só de um lado - "está perdido em sonhos,
 nadando nas nuvens,
 de seta no coração.


 Sonha que ela o ouve,
 sonha que ela existe,
 sonha que ele é real."


"ERGAM-SE! LUTEM!"


"não fujas, 
 não fujas, 
 não fujas,
 não quero perder mais."


"desiste de seres tu, sê outro alguém, sê eu."


"vai dormir,
 velho poeta,
 que o amanhã não espera,
 e o hoje,
 já não serve."


 "uma última linha, uma gota final de poema, um beijo!"


 "... não."




9.6.12

a horta ardeu

Olhei para ela,
e reguei-a de mais,
e a horta ardeu,
e o terreno,
nunca mais será fértil.

31.5.12

(nós?vegetais:frutos)

eu, ________, abaixo assinado,
venho por este meio declarar
que não vou deixar de me deixar
de ser dominado
pela insanidade.

proclamo o meu amor eterno,
a minha interminável paixão,
o meu incansável desejo,
pela insensatez,
pela demência,
pela escuridão do acaso.

sou o elástico que tenho ao pulso,
e digo-me, estrangulando-me as veias :
um cigarro mais não te matará,
dois cigarros mais não te matarão,
mais do que a simples existência de mim
o faz.

penso em dormir, mas para quê,
se amanhã será igual a hoje,
apenas mais pesado de passado?

os dias
seguem-se aos dias,
e as noites esgotam-se rapidamente,
e eu,
estou aqui parado,
a fumar sempre mais um cigarro.

"está verde, senhor, não a comais já"
diz-me o universo de maçã na mão
(e que bem cheira a maçã!
 e que saborosa parece a maçã!
 e que doce o sabor que me ficou nos lábios
 depois de lhe provar a casca!),
e espera o universo que eu espere!

E só para lhe fazer a desfeita,
(e só porque a maça depois de madura,
 saberá tão melhor;
 e só porque a maçã é uma maça,
 e tem sentimentos de maçã,
 e não a quero ver só caroços no caixote de lixo)




26.5.12

I am the knight who says Ni.

esquisito,
estranho,
complicado,
bom.

os sonhos são sonhos,
os desejos são desejos,
as vontades são descartáveis,
e o amanhã é imperioso.

lentamente,
de armadura posta e espada no punho,
o cavaleiro ergue-se :
lutarei,
pelo castelo que quero conquistar.
lutarei,
pelas praias e florestas onde quero morar,
lutarei.

E se perder,
acordarei coberto de nódoas negras,
cortes e cicatrizes,
e estarei a sorrir pois lutei,
e nada importa.

E se perder,
e não tiver castelos conquistados
e não tiver florestas onde morar,
e não tiver uma bandeira a voar ao vento,
estarei a sorrir porque tentei,
e nada importa.

E se ganhar,
se tiver o que procuro nas mãos
e for feliz,
nada importa.

22.5.12

overthinking or, the idiot's curse

sozinho numa jangada improvisada
andei meses sem fio,
chorando baba e ranho
ao frio.

pareceu-e ver uma ilha onde aportar,
e a ela me dirigi,
e agora estou na alfandega,
revistam-me os bolsos,
mostro papeis e documentos,
mostro tudo o que carregava na jangada,
e dizem-me :
"vamos analisar o seu pedido"

Eu volto à jangada,
e vou olhando a costa
e apaixonando-me pelas suas ravinas,
admirando a sua vegetação,
descobrindo os seus pontos de referencia,
e desejando escalar a rocha íngreme
para chegar ao cume da colina,
e lá construir uma casinha onde viver.

deito-me,
olhando as estrelas e sorrindo :
"um dia, talvez possa entrar.
 até lá, vou esperar."

(mas por vezes,
 há dias em que salto à água e nado,
 contra corrente e maré,
 evitando as pedras e rochedos escondidos,
 e chego quase lá,
 até que me lembro que não posso escalar,
 não tenho cordas,
 e não poderia viver lá,
 se não fosse convidado a entrar)

 Espero,
 paciente.

a resposta há de chegar,
e espero ainda querer lá morar,
e espero querer ainda mais lá morar,
quando um dia, eventualmente, o dia chegar.
e espero que a ilha me queira,
e espero ser o que a ilha precisa,
e espero tudo,
espero.

(chega rápido dia,
 mas não te apresses.)

21.5.12

echoes of a turtle's kiss

"There's a gap in between
 There's a gap where we meet
 Where I end and you begin"

façamos uma ponte,
tu constróis desse lado
e eu deste,
encontremos-nos no meio
e lá,
sentemos-nos a fumar um cigarro
de mãos dadas
e olhos no futuro.

14.5.12

"esqueci-me do bem
 e tornei-me má,
 deixei que a moral fosse embora,
 e fiquei sozinha com a faca na mão.

 cortei-te o coração,
 tirei-te as tripas para fora,
 e disse-te "vá,
 faz-me o mesmo tu também"

esqueci-me do bem,
ficou algures perdido
junto ao cartão dos filtros,
num bolso que já não uso,
de um casaco que já não quero.

esqueci-me do bem,
esqueci-me do mal,
esqueci-me de mim,
mas não te esqueci a ti,
que quero esquecer.

esqueci-me de tudo,
e em tudo me esqueci,
mas quando tudo para e eu respiro,
ainda te sinto aqui,
raiva,
medo,
dor.

Esqueci-me do Bem,
esquecer-me-ia de ti também,
se me lembrasse de como o fazer.

13.5.12

domingos

arrasto-me,
e comigo arrasta-se o tempo.

não tenho pressa,
escrevo ao ritmo da calma,
letra
após
letra.

amanhã chegará,
inevitavelmente,
e eu,
aqui estarei para a receber
de braços abertos,
a felicidade
que um amanhã me trará.




"Faz-me ver de novo."

Abre-me os olhos para as estrelas,
dá-me o universo nos teus lábios
e dancemos até ser madrugada.

Acorda-me,
e no teu acordar serei eu,
e serei feliz de novo.

Dá-me uma razão,
uma cor para eu gostar dela,
um sonho para sonharmos juntos,
um caminho só nosso,
onde nos podemos perder.

Faz-me ver de novo,
quero olhar-te os ombros
e sentir as tuas unhas a arranhar-me a pele.

Faz-me ver de novo,
quero abrir os olhos
para o teu sorriso.

Sou pele,
sou papel.

Desenha-me os ossos
e pinta-me os músculos a carvão,
as tuas mãos negras a passarem-me a pele,
e eu,
sussurrando,
dir-te-ei que amanhã será ainda melhor,
amanhã será ainda mais longo,
amanhã será ainda mais.

Desenha-me deitado na cama,
de olhos fechados,
e dá-me luz com um beijo.


7.5.12

reticencias, reticencias, reticencias.



um passo em frente, três atrás, dois para a esquerda e nenhum à direita.
caminho em direcção ao futuro
e cada vez estou mais próximo do passado.

abro uma porta,
olho lá para dentro e
gostando do que vejo,
apresso-me a fecha-la :
tenho medo de o sentir de novo
tenho medo da dor que irá
inevitavelmente,
eventualmente,
trazer.

Nada o meu cérebro em vodka
e Eu,

solitária sombra do meu ser
abandonado a um canto danço e canto
para que ninguém veja
para que ninguém oiça
para que ninguém saiba.

fumo,
um cigarro entre os lábios
porque não tenho lábios para beijar.

fumo,
um cigarro entre os dedos
porque não tenho mãos para agarrar.

fumo,
fumo porque fumar mata
e morrer é mais fácil do que estar vivo.

fumo,
fumo porque fumar mata
e depois de morto não tenho mais que pensar.

existo,
viver é muito cansativo.

existo,




para viver preciso de alguém a meu lado.

reticencias,
ainda e sempre reticencias :
espero.

não sei o que espero,
para além do fim do esperar.

7.4.12

uma virgula, porque não chega a ponto.

as correntes correm-me,
no cérebro
na cabeça.

atravesso oceanos de nada
e sou nada no fim deles,
nado quilómetros submergido
e quando volto a tona
contemplo o mar sem fim
e nada junto a mim.

história altamente trágica
a do herói sem uma princesa ou rainha
a quem cortejar.

(paro, não por vontade, mas porque o corpo necessita de descansar)

22.3.12

TABELAS!

nome, numero, saldo, preferência sexual.
chaves primárias, secundárias, estrangeiras.
seleciono o teu nome,
só para ver se ainda existes aqui.
actualizo o teu estado,
e choro ao ver-te apenas outra.
apago o teu registo,
apenas para o inserir logo de seguida
na tabela dos históricos.

escrevo-te um programa
para que não me esqueças,
para que não me descartes,
apagues e formates de dentro de ti.

FICA! não te vás embora.

(demasiado tarde eu grito,
demasiado tarde eu luto,
demasiado tarde eu tudo)

estornaste-me a afectação a ti
e agora não tenho relações,
sou de um para nenhum,
seta sem sentido,
seta sem direcção,
seta sem orientação,
seta sem razão.

sou um numero,
um registo apagado,
um numero de sequencia

ultrapassado.

emotional loop

E o que são esses nomes,
palavras sem significado,
que te chamam de madrugada?

E que alegria tiras tu,
pobre ser despojado de consistência,
de tão frágil contentamento?

E de que te serve agora
seres bajulada e adorada e amada,
se não tens o futuro que era nosso?

E onde encontras agora esperança,
nas palavras de outro,
que te canta com palavras de outros,
nas terras que não são dele?

E porque me agarro ainda eu,
com as duas mãos que tenho,
secas,
geladas,
frias,
ao que já não é?

E onde existe para nós,
um futuro, um passado
(não manchado)
que possa recordar?

E se ele existe,
E se ele está próximo,
esse hipotético passado,
esse hipotético futuro,
esses tempos
(falsos como o tempo é falso)
onde está?

E agora és alvorada,
és lua,
és dia,
és algo que não a Noite
que és.

13.3.12

(devagarinho,
vai fugindo de mim
a tristeza profunda
e com ela
as palavras.)

não te vendo,
não vendo quem és hoje,
apagas-te de mim
e escrevo-me de novo
só.

11.3.12

não te percebo.
não entendo os saltos
a vontade de ser outra
de outro futuro,
como podes pedir algo diferente
da perfeição que seria?

Não compreendo,
não sei se o quero perceber.
Faltas-me.

Não me sentes longe?

8.3.12

Os esqueletos em chamas / dançam de novo.

O deus imortal morreu,
assassinado pela razão fria que te tolda o cérebro.

Caiu de seu pedestal,
e quebrou-se no chão
qual vaso Ming.

O colosso, mais forte que todos antes dele,
revelou-se fraco e de papel,
queimado até ser cinzas
por uma pequena chama.

Os titãs que agora batalham
sobre os corpos esquecidos do que éramos,
são sombras e imagens distorcidas
da realidade que nós fomos.

Cem mil anos passarão
e as ruínas ainda aqui estarão,
abandonadas e esquecidas,
uma flor sem nome
nem cor
solitária sobre o altar.

Sou os restos do que fomos,
e deles farei o jantar do meu futuro,
ele que se alimente da desolação que sou,
ele que me consuma a melancolia,
e no fim me regurgite,
substancia pastosa,
amorfa,
sem sabor.

6.3.12

o titulo é uma ilusão.

Salto precipício abaixo,
todos os dias o faço,
porque nas rochas que me esperam
existe dor.

Salto de olhos bem abertos,
quero ver a terra engolir-me
e sentir cada ramo
de cada árvore
a bater-me.

Chicotes, dizes-me.
Grilhões e prisões, mestres!
e nada aprendido.

(és insanidade? és loucura? és poeta?
PORQUE CANTAS TU A MINHA CANçÃO
quando já não és minha
para a cantar
contigo?)

Eu sei o que queria dizer,
e digo-o a viva voz,
vezes e vezes sem conta
dentro da minha cabeça)

2.3.12

mental noise.

o teu sorriso novo
é tão feio como a tua nova alma :
desprovida de felicidade.

O teu novo ser
é uma torre de mentiras e ilusões,
um poço sem fim
para onde me atiraste.

Sou agora apenas outro
dos monstros do teu passado,
e povoamos o fosso
que existe entre o que és
e o que os outros te vêem.

afundo-me,
lenta, lenta, lentamente,
afundo-me.

sempre mais longe,
mais longe do passado
mais longe de ti,
tão mais longe
de nós.

Atiro facas ao meu coração,
rasgo na minha pele
o teu nome que esqueci.

27.2.12

a fria mão da ganacia.

a puta do mundo cai,
à minha volta nada excepto ruínas,
a cinza ainda quente do abraço suave das labaredas.

Tudo se desmorona,
lentamente, grão a grão, o cimento volta a tornar-se areia,
lentamente,
sempre lentamente,
tudo volta ao nada,
civilização,
pátria,
amor,
nada.

Arde, filha da puta,
civilização!

Arde, até sobrarem apenas migalhas
do que era teu.

Arde, arde arde!
Que as chamas lavem a tua impureza,
que o fim te sirva de lição
e volte a ser virgem a tua mão.

vamos todos ser transformados em merda!
vamos todos ser números,
estatísticas sobre mortes e nascimentos,
pontos percentuais
num registo frio
da guerra que ai vem.

Todos cairemos,
todos tombaremos,
todos morreremos.

O fim está próximo,
e vem nas mãos da ganancia.

26.2.12

incêndio

arde mundo.

Arde e eleva-nos
ao céu.

arde mundo!
Arde e leva-nos
ao fim.

arde mundo,
arde até nada restar,
arde até sermos cinza,
arde até eu me esquecer de amar.

arde mundo,
gloria eterna espera-nos
nas chamas do fim.

24.2.12

Ali, do outro lado do rio do ser


Existimos como malabaristas,
atirando ao ar certezas e desejos,
e deixando cair sonhos no chão,
só para os vermos a partir.

Pequenos pedaços de imaginação,
futuros que nunca serão,
como lascas de uma apara de um lápis
que decidiu não mais escrever.

Somos uma série de linhas
num guião escrito por Deuses
(que nunca conheceremos)
e que não podemos falhar.
Seremos apenas uma novela,
entretenimento fácil
para seres que não nos amam?
Seremos apenas uma sombra,
qual marionetas puxadas por cordas,
de Senhores que não existem fora de nós?

No castelo imenso da minha mente
existem fadas duendes e um elfo
que levanta a sua espada negra
e a espeta no meu coração,
sangrando-me a dor
até eu cair no chão
, apagado,
uma casca inútil,
um vazio imenso onde antes um altar se erguia.

Sacrifiquei-me a uma Deusa,
imolei passado e futuro
para ser junto a ti
que não estás aqui.

...

...

...

...

Reticencias marcam os versos que não escrevo,
escrever doí e cansa e mata.

21.2.12

antes de deitar

palavras,
tudo palavras inúteis,
sem significado,
sem emoção,
sem nada de tangível onde agarrar.

São palavras,
não querem dizer nada,
são ocas, vazias, cascas de uma definição.

São letras,
num padrão aparentemente aleatório,
a quem os deuses da gramática
deixaram
(naquela há muito perdida tábua de pedra)
um nome,
uma voz,
uma razão.

Mas são vazias!
Apenas a concha!
Apenas um desenho de algo,
sem que sejam esse algo.

Dizer que te amo,
é vazio e nada quer dizeR.

Apenas com os actos,
podemos falar.

20.2.12

apontamentos sobre uma conversa num banco de jardim (06/02/2011)

quanto será o desejo a falar
quanto será o medo de me magoar,
quanto será a verdade do coração,
que mente sempre?

Qual será o caminho certo,
existirá um caminho certo,
existirá um destino, uma meta,
um, dois, três, quatro,
cão, amarelo e azul,
gato verde e preto e roxo e vermelho
e tudo o que é gótico,
neo-manuelino e barroco.

Catedrais de ti,
esculpia e destruía e montava como um puzzle.

Uma torre de babel de mim,
pensamentos incoerentes mas constantes,
uma erecção de Deus
pela tua pele nua.

Uma floresta de sentimentos,
onde me perder contigo,
acharemos uma clareira?

Saltitar de árvore em árvore,
agarrados aos grandes mastros de madeira,
quais macacos em busca de flores para polinizar.

Vamos dançar no caralho
de uma caravela portuguesa
atravessando o oceano
em busca de casa.
(nunca a vamos encontrar,
pois a casa não está longe,
nem sequer perto.
Casa está em ti,
casa está em mim)

Cama, leito, colchão,
cama, leite, paixão.
coma, Noite, no chão.

Amanhã acordo e acaba o paraíso,
mas enquanto o sol não brilhar
será eternamente bom.

Tudo é eterno
menos a eternidade
essa é espontânea,
instantânea,
e de curta duração.

Efémera,
Risível.

Uma esfera de nada,
onde mergulhar.

Um apontamento esquecido,
uma caneta que não escreve
uma pessoa que não vê,
não sente,
não encontra.

Encontrei-me na 13ª linha de um poema
teu,
e nunca me tinha encontrado antes
mesmo quando andava à procura.

Escreveste-me na tua palma
e agora colocas-me em tudo
quanto tocas.

Eu escrevi-te em mim,
deixei que a tinta do teu nome
me penetrasse a pele
e agora não te quero fora de mim.

"Serve assim?" - pergunta o empregado,
de uma loja lisboeta de flores perdida,
boquet na mão esquerda,
a direita perdida no bolso das calças
enquanto olha para o teu peito desnudo
e eu sozinho e mudo.

Quero ir ali e não voltar,
desde que venhas comigo.
Quero ir-te aqui e não parar,
desde que te venhas comigo.

Estávamos entre ruelas
que ninguém conhece
e contra uma parede
agarrado aos teus cabelos,
geme.

Escrevi o teu sorriso numa página
e guardo-a num bolso,
para nunca te afastares de mim.


arranco as crostas da pele,
as da alma não saem,
arranco-as com as unhas,
e espero pelo sangue a escorrer,
quente,
perna abaixo,
até me tocar o pé,
até sujar o chão.

Uma gota do meu sangue inútil,
igual de tantos outros antes de mim,
sem mais peso do que os outros passados,
já nem me choras a mim
e eu,
que te carrego ao pescoço,
qual maldição,
qual bênção,
qual tormenta invisível,
escondida,
presente.

"carregarás para sempre essa dor"
- dizem-me -
"e nunca a esquecerás"
- dizem-me -
"e sofrerás até ao fim"
- dizem-me -
"por teres perdido o que existia"
- dizem-me -
"não carregues essa outra cruz,
guarda-a numa caixa onde não a vejas,
esconde de ti,
a lembrança do que parecia ser."

Não és outra apenas.
Não és um numero,
uma estatística,
um checkpoint por onde passei :
és a tal,
a que eu perdi.

18.2.12

hoje durmo no teu edredon pela ultima vez.

Olho-te,
de cima para baixo,
como quem olha uma criança,
como mestre para aprendiz.

És ainda linda,
e ver-te em paz,
mesmo que apenas fotográfica
, leva-me aos oceanos de zen.

Seguras a cabeça,
não a querendo deixar fugir,
ou seguras o braço,
não o deixando vir até mim?

Meditação gorda e feliz
no teu peito, sobre um fundo negro
e branco.

Deslocar-te os cabelos
e beijar-te a testa,
gentilmente,
como quem diz que te ama.

Sou feliz
por termos sido,
Noite que me acalma a alma.

Tanta roupa sobre ti
e vejo-te nua,
porque não me tens ai.

Aquecida por tecido,
electricidade e lareira,
não tens os meus pés
para aquecerem os teus.

Ser uma rua
e não te ter a passear em mim,
doí de verdade

Ser uma rua
sem ninguém para conduzir
é como não o ser.

Devaneio, perco-me, é tarde, "a hora urge" e o vodka acabou.

(tenho um sorriso nos lábios
e sinto ainda os restos daquela tão completa felicidade)


15.2.12

A Causa Reside na Consequência.

Somos fortes e imortais,
Deuses e seus Anjos,
que lutam contra a horda demoníaca,
de espada e fé na mão.

Somos crianças brincando com bombas nucleares,
julgado-as doces para mastigar.

Temos o poder de destruir,
de acabar com a civilização
.
.
.
.
perco-me, volto sempre a ti.


com calma

lentamente,
sempre demasiadamente lentamente.

O inevitável virá,
inevitavelmente,
eventualmente,
certamente.

Não podemos impedir,
não pudemos evitar,
não poderíamos.

14.2.12

à queda da humanidade canto / quando o futuro morre com ele arrasta o passado

o que era para ter sido,
nunca será, senão seria.

o que era para ter existido,
nunca existirá, senão existiria.

o que era para termos vivido,
nunca viveremos, senão viveríamos.

-separador de tema e tom-

Estou, continuo a estar,
estarei ainda a chorar o fim do mundo,
e este ainda nem chegou.

-separador de tema e tom-

Fomos, já não somos e custa-me lembrar-me,
que as sombras chegaram e nos esconderam
do que havia de belo neste mundo.

Agora vejo apenas a escuridão de quem está só,
apenas o vazio imenso
de uma cama sem ti.

Sou de novo singular,
sem que tenha perdido o plural no meu coração.

Sou de novo apenas eu,
sem que tenha dado por tu saíres porta fora.

O tempo corre para o dia de amanhã
e não quero que ele chegue,
e não quero que ele exista,
e não quero que ele seja,
e não quero que ele me assombre
com a sua capacidade
de me fazer lembrar.

Sobre uma lareira,
num alternativo universo,
estará um dia uma foto de nós,
tu sorridente e eu de joelhos,
oferecendo-te a minha vida.

Nessa casa que nunca será,
descansa o futuro que nunca teremos.




trivialidades

restos de comida num prato,
as sobras do jantar de anos
a que não irás comparecer,
assombram-me a memória do que está para vir.

(um dia é apenas um dia, uma data é apenas uma data, um numero é apenas um numero)

O anel que nunca te comprei ficará para sempre fechado,
numa caixa forrada a veludo negro como a noite.

A madeira apodrecerá e cairá de velha,
e as divisões esquecerão-se de ti
e a cama deixará de ter lá aquela depressão
onde o teu corpo repousou,
feliz?,
e o pátio, banhado pelo sol da manhã,
nunca mais te verá dançar e sorrir.

O prédio será ruína,
a rua será não mais do que um atalho,
por entre a decadência de guerras futuras,
no chão ossos secos e velhos,
morte e não a celebração da vida.

A cidade será um mar,
o nosso restaurante um banco de corais,
peixes! Jantarão a comida que era nossa.

O sol explodirá em chamas,
consumindo planetas, luas e asteroides,
e os esqueletos da civilização dançarão
em chamas.

E eu,
de copo e cigarro na mão,
escrevo-te um outro poema.

9.2.12

10/12/2010

The poet, alone, standing in the throne, dressed in his best clothes, the suit that still had a full leg and one matching glove with 4/5 fingers, sang a story :
"once upon a time a king there was,
and he danced all day
and fucked all night.
Beer he had in the morning,
beer he had in the afternoon,
beer he had not in the night,
for beer too much
that would have been."

Laughing the poet danced, while the tears fell down his smile. He was sad, as a poet must be, sad. The corpse of the prince lay in the table, roasted just like he liked it, the apple in his mouth, the celery in the other side. He jumped down to the ground, and took the sword of a guard. He cut a slice from the leg :
"PFU! The prince ran too much, his leg is hard!"
He cut a slice from the arm :
"PFU! The prince fought too much, his arm is hard!"
He cut a slice from the belly :
"Pfu! The prince ate too less, no meat in here!"
He cut a slice from the prices head :
"Pfu! The prince thought too much, his brain is burnt!"
He cut a sausage from the prince :
"Pfu! Hardly enough to fill the in-between-teeth."

The poet returned to his stolen throne with his stole sword and sang a stolen song, about a boy that loved a girl that loved a man that loved a woman that loved a god. The god came to earth and danced with the girl the dance of fertilization. Then the girl danced with the man and told him the belly so big she had was from his love so the man ran to the girl and accepted her love but the girl had already fallen for the boys traps, and was now dead. The boy cried because he forgot that little girls are not immortal like gods are.
And so the song ended and now the poet cried, because he was happy.
Happy the poet king was, and when he was happy he'd go out to the court and dance under the moonlight until the sun came and he went to bed.

#nonsense
#boredatwork

6.2.12

ele tem dias.

E tem dias em que me doí existir,
e tem dias em que me custa respirar,
e tem dias em que me magoa pensar.

--

adjectivamente falando,
o modo como escolhi existir,
não é correcto.
Não é bom,
não funciona.

Não sei existir só.

Pior, não o quero saber.

5.2.12

quero escrever-te uma carta.

quero mandar-te um email,
enviar-te mensagens.

telefonar-te e ouvir a tua voz,
sem sentir o frio,
sem sentir a distancia,
sem sentir o passado.

Falar-te,
dizer-te que a insanidade é boa,
que é na insanidade que achamos a força
para parecermos sãos.

Vem,
seremos insanos juntos.

Liga-me,
e diz-me "desculpa, vem-me buscar
aos campos de Orféu,
e vamos construir um palacio na encosta de um monte.
Uma torre para ti" -
dir-me-as tu
-"e um trono onde te sentas,
o teu cabelo ao vento,
que entra pela porta aberta".

E tu, de vestido preto,
longo,
ondulando ao vento,
o teu cabelo,
curto e longo,
assimétrico e estranho e só teu,
estarás lá,
no trono,
ao meu colo,
e
nos
nossos
lábios,

um sorriso que a eternidade não conseguirá nunca apagar.

3.2.12

xadrez psicológico

não fui eu,
não foi ele,
foste tu.

Ouroboros de verdade,
comes a tua própria felicidade,

serpente mítica,
alimentas-te das tuas mentiras,
e iluminas a catedral de ti com fogo-fátuo,
e truques de prestidigitação.

Amaldiçoada Pandora,
que atraiçoaste tua mãe Nyx.
O Tempo espera, bêbado,
profetizando o futuro.

Fomos pais do Sono,
Fomos pais do Sonho
e da Morte,
Noite.

Agora sou Caos,
teu filho,
teu pai,
teu irmão,
eterno turbilhão
de conhecimento e emoção
de quereres e desejos,
de vontades e relampejos,
breves,
de lucidez.

(Lúcido Lúcifer luz,
largando longas listas,
limpando leves livros,
lavando levianos legados.)

SALTOS!
hop, hop, hop,
faz o coelho,
de foda em foda
saltitando
(quero ser coelho,
foder sem parar).

se (existencia.significado.isEmpty()){
eu.relationship = new Relationship(rand);
existencia.significado.reload(eu);
}

cheque.
rei para rei quatro.
torre para rei oito,
cheque.
rei para rainha cinco.
rainha para rainha um,
cheque-mate.

06/2006

Que tudo arda,
que tudo o fogo consuma,
que a dor, a avassaladora dor,
que cá dentro queima,
que ela incendeie o mundo!

Que morram todos,
que sofram eles,
que lhes doam as lágrimas de dor,
que morram como morri EU!

Que o inverno eterno chegue,
que a neve e geada caiam,
que congelem corações, e o sangue,
que coagule nas veias!

Que seja hoje o último dia,
que amanhã o sol não nasça,
que ontem tenha sido o dia
que antecedeu o Apocalipse.

Que tudo vá para o inferno,
que tudo se foda,
que tudo vá para o caralho
que os foda!

Que a tua vontade seja feita, Tu
que comandas minha vida,
que tu me mates,
que tu me pises,
que aRDA NO INFERNO TUDO!

Que morram os caezinhos,
que morram os gatinhos,
que ardam as penas dos pássaros
que as têm!

Que acabe,
que termine,
que finde,
Que morra o amor
que tanto me deu
que tanto me tirou.

Que seja essa a tua escolha,
Que não recaia sobre mim a culpa!
Que se fodam tudo e todos,
que hoje quero apenas VODCKA!

que o álcool me mate,
que o álcool me leve,
que o álcool me perdoe, já
que tu nunca o farás!
Que merda de vida,
que tudo te dá e
que tudo te tira.
Que merda de sentimento,
que vida te injecta,
que vida te suga
que tudo é
que nada significa
que mata
que dá a vida
que mata
que dá a vida
que se FODA O AMOR!
que se fodam querubins e anjos,
que se amem entre eles,
que eu quero antes Beber!
que Deus no seu cadeirão fulmine aqueles
que insistem em acreditar nele
que há muito nos deixou.

Que arda no inferno o mundo
que é a nossa casa.

Que seja rápida,
que me tortures antes,
que me obrigues a escolher,
que eu escolha mal,
que eu te mate quando morrer!

Que seja indolor,
que contorças de dor, PUTA!
que te espetem espinhos,
que te cortem memberos,
que te doa Puta, Puta do Amor.

Que o dia de hoje não acabe,
que amanhã não chegue,
Que tudo ARDA!
Que tudo se FODA!
Que vá tudo para o caralho.


que seja.

31.1.12

[pausa para respirar]

Nos macacos verdes que trepam,
alegres!
Pelo ananás acima,
Existe uma paz de espírito que só se encontra
nas cervejas abandonadas.

Uma torre de betão armado,
que sobe aos céus
e se deita sobre a areia,
qual donzela da novela
descansando merecidamente
na areia de Carcavelos

"Somos Deuses de antigamente" -
gritam os carros que passam,
chupando sedentos o sangue
, negro sangue.

No laboratório,
Na torre,
No castelo,
A bata, branca em tempos
aberta ao vento,
os braços tentando abraçar o universo
e nos seus lábios,
na sua garganta,
o riso,
demente,
insano,
malévolo!

27.1.12

I've been calling for ages


Can't you listen?
I SCREAM your name at night,
Night.

I tear my skin,
I rip my soul apart,
I need you,
and you don't need me.

And if you do need me,
I am here.
I am always here.

Please don't wait so long
that all turns to anger,
that all turns to pain,
that all turns to rage.

"e pudesse eu pagar de outra forma".

26.1.12

na Noite morreu o mestre.

abandonei o traje de mestre,
o cajado caído junto a uma porta.
despojei-me de ensinamentos,
limpei-me do conhecimento.

Sou apenas um numero,
insignificante.

Uma virgula,
no paragrafo que escreves.
Uma linha entre tantas,
na folha que escreves.
Uma letra amalgamada
numa palavra que escreves.

(porque não escreveste nós?)

Apodrece dentro de mim a esperança,
por falta de água.

Como,
Bebo,
Durmo,
Trabalho,
sem rumo.

Não vou para a frente,
o que quero está atrás.
Silabas, métricas, espaçamentos, quadras, pausas.

Uma espiral de ser nada
e a lado nenhum chegar.

Uma pausa, um intervalo,
o interregno.

a cortina levantar-se-à de novo,
e tenho medo do público que me olha.
a cortina levantar-se-à de novo,
e tenho medo dos artistas sobre o palco.
a cortina levantar-se-à de novo,
e tenho medo que não o faça.

O átomo,
indivisível e uno.

A viagem,
essencial e solitária.

A impronunciabilidade
e a septicidade
e a inevitabilidade (ah, que me fode sempre a inevitabilidade)
chegam,
existem,
desaparecem.

(sou o pouco que resta
do que deixaste no prato.
.
.

Vens acabar o jantar?)



25.1.12

procuro-te onde não te vou encontrar

escavo buracos,
para ver se estás enterrada lá,

abro portas,
que eu mesmo fechei,
e procuro-te entre as caixas
(são tuas,
as caixas e as minhas lágrimas)

22.1.12

boa Noite

Aprendiz,
aprendeste algo comigo?

Noite,
fiz-te ver o sol?

Amor,
sentiste o estômago a tremer?

Viajante,
encontraste em mim
um sitio onde descansar?

Ferreira,
forjaste espadas em mim?

Doce,
fui açucarado quando querias?

Rainha,
fui um súbdito bom?

Senhora,
não quero desistir de nós,
mas o mundo força-me a esquecer,
a deixar-te,
a viver
sem
ti.

Como se isso fosse possível!
Viver sem ti.
O horror da ideia ainda não me bateu.

Vivo sem ti há 20 dias,
e ainda não me apercebi
que não voltas.

(volta por favor)

A musica lembra-me de ti,
todas elas.

Hoje sonhei que fumava,
à janela,
olhando para ti,
e sorrindo,
pois era feliz.

(voltava a fazer tudo de novo)

roadtrip music

Viajo kilometros sem fim,
percorro toda a extensão do mundo
e não me levanto da cadeira.

Não quero selvas,
savanas,
desertos,
florestas,
matas,
bosques,
serras,
cordilheiras,
montanhas,
praias,
lagoas,
ribeiras,
nada.

Só queria que aqui estivesses,
fora isso,
que saibas a falta que me fazes.

21.1.12

Nesta Margem Espero Teu Regresso

Cantar-te-ia um caminho,
cantar-te-ia uma vida,
e até mesmo um universo.

Não te os cantei já?
Não te disse já aonde ir,
aonde nos encontrar-mos,
aonde poderíamos chegar?

Porque não me ouviste,
como eu te oiço ainda,
chamando por mim?

Onde estás?
Não pode ser tão longe
que eu não consiga lá chegar.

(Quero correr para ti,
agarrar-te nos meus braços,
e chorar o que nunca mais seremos)

Rainha Eterna, Noite

Dei-te a minha vida,
jurei-te a minha lealdade,
e pus meu ser em tuas mãos,

Eterna Rainha.

Tornei-me teu súbdito,
acolhi tuas leis para minhas,
ofereci-me como sacrifício a ti,

Rainha Eterna.

abandonei a minha individualidade,
para existir somente em ti,

libertei-me do passado,
e moldei-me ao teu presente
para construir o nosso futuro conjunto,

Noite Eterna.

Mas abdicaste,
largaste a tua coroa,
desceste as escadas,
e já não voltas.

O teu trono está vazio,
nenhuma bandeira está agora hasteada,
excepto o vazio imenso de não seres parte de nós.

Sou uma pedra de um castelo abandonado,
uma inutilidade estatística,
um resto de uma qualquer divisão.

sou eu,
e sou-o
só.




18.1.12

P is for Porn!

P is for Poetry!
P is for Problems!
P is for Prostitution too,
although that one I didn't knew.

P é de Parvo,
e das suas cônjuges.
P é de Pé,
que me levam até :
ti;
elas;
ela;
eu;
ele;
eles;
nós.

O que é nós?
Existe ainda nós?
Foi um sonho meu,
um sonho teu,
um sonho nosso?

Os sonhos,
todos eles e é isto que eles tem de mau,
acabam.

17.1.12

entre o m e o p

entre o m e o p
nada.

nem Noite
nem dia,
nem vida,
nem morte,
nem sonho,
nem realidade.

Nada.

Com toda a importância
que o ser Nada
comporta em si.

Entre o M e o P,
apenas uma linha vazia,
sem um N
que a aqueça.

Nada,
capitalizado,
pois o capital
é senhor
(e sem ti,
não sei querer continuar).

Nada.
Nothing.
Niente.
Nickles.
Nenhuma coisa,
Noite.

entre o m e o p,
onde antes existia paraíso,
existe o Nada.
tic, tac,
mamas de pixel,
tic tac,
(rima com pincel)
tic tac,

o tempo não passa,
despacha-te!
Corre, corre ponteiro,
atravesa essa casa,
e não pares até cá chegares de novo
uma,
e outra,
e outra vez.


tic tac,
engano o tempo,
tic tac,
engano a vontade,
tic tac,
porque quero tanto sofrer?

14.1.12

A Alegria do Passado Compensa a Dor do Presente

A culpa dorme sobre os meus ombros,
por me ter permitido ser teu.

A culpa descansa nas minhas costas,
por me ter oferecido sem reservas.

A culpa é apenas tua e tua apenas.

10.1.12

não quero,
não quero sequer pensar nisso,
não quero pensar
não quero pensar
não quero pensar.

limpa-te cerebro,
limpa-te em droga,
limpa-te em musica,
limpa-te em jogos,
e quem sabe encontras um sorriso.

8.1.12

ela não volta.

perdi-a,
e ela não volta.

perdi-a e foi para sempre.

perdi-a,
e porque?

7.1.12

100 / sem

abro e fecho janelas,
percorro ligações
e procuro pistas.

quero saber de ti,
quero que saibas que o quero.

quero-te aqui,
mas não estás,
mas não voltas,
mas não sei o que fazer.

sem ti,
a cama é demasiada,
o quarto é frio,
esta cadeira perdeu a graça
e não há nada que eu faça
que não me lembre de ti.

Estás nas coisas que digo,
estás nas coisas que leio,
estás em tudo o que escrevo.

Noite minha, sou velho.
Sou um fóssil,
uma relíquia,
despojo de um universo anterior,
e sinto-me assim hoje.

"whenever I'm alone with you you make me feel like I am home again / whole again"

Não existe casa para mim,
a minha casa era nós,
e agora nós desmoronamos-nos,
com um só gesto.







"fomos"
-"foi"
--"era"
---"antes"
----"ex" //este doí mais que os outros
...........porque nunca acreditei dize-lo de ti. //
---"acabou"
--"terminou"
-"findou"
"morreu"
-"não volta"
->"it ceased to be."

6.1.12

pause

definição :
corte no continoum espacio-temporal
no qual o tempo não se mexe.

4.1.12

ainda acho que é tudo uma brincadeira,
que te vais rir na minha cara,
e voltar aos meus braços.

ainda não acredito que possa acabar assim,
sem aviso prévio, sem razão.

Não acredito no que me dizes,
e o que acredito,
não compreendo.

QUero um buraco onde me esconder do universo,
e só sair de lá, quando,
se deixares de doer.

Não percebo, meu amor.
Não entendo, Noite minha.
Não faz sentido!
Não pode ter acontecido assim,
isto é um sonho
e hei de despertar.

3.1.12

se fingir que nada aconteceu,
se fingir que está tudo bem,
se evitar todas as decisões,

posso continuar a viver na duvida,
na esperança de tu acordares,
e te lembrares de mim.

2.1.12

tenho de começar a tirar-te de todo o sitio,

aquele post-it, escondido no meio dos outros.
lembro-me de pensar que isso ia correr mal,
que outra pessoa que não tu,
o fosse encontrar.

Agora ninguem o vai encontrar.



preciso de ti,
onde estás?
porque não me seguras nos teus braços
e me sussuras ao ouvido
que tudo ficará bem?

porque não dás sinais de vida?
porque não estás aqui,
volta,
preciso de ti.

Volta,
preciso de ti.

Volta, por favor.
quero te escrever mails,
centenas de linhas de coisas belas
que te apaixonem por mim de novo,
que te façam sorrir ao ver-me sorrir
que me deem razões para sorrir.

quero-te de volta,
o teu corpo encostado ao meu,
a tua respiração audivel no quarto.

(não te beijar de manhã é um crime
um pecado capital,
uma inegavel deteoração da sociedade,
um fim anunciado.)

Me vs Poetry, round 2.

"one day I'll go, dancing on the moon"

one day is a powerful thing.
one second is enough to destroy a universe,
to implode it into nothingness,
suspending it in temporal stasis,
where time moves not,
nor does my heart.

"I never had no doubt"
I never had Garbage or Guano Apes either,
I just knew.
And I knew wrong, you say.
Or I knew right and you know wrong.

Or everything that exists is a lie,
and I stand in between it,
crying with dry eyes,
waiting for the day.

the day. That day, today,
any day,
but just come.

Twenty four / Forty two

I've begun talking to myself
alone in the room.
I've fallen asleep talking to
cats and someone not there.

I break every sentence
in the middle :
they too should feel
brok-
en.
.
.
.
.
.
.
.
(dots. dots doting the dottery)
.
dot
.
dot
.
dot
.
dot.

(don't want to think about
You
but what else
is there,
now that
You
are not?)

1.1.12

(estou aqui, diz ela de machado na mão,
esperando por ti,
para te estripar)