experimento a exclusão de existência:
indecência elevada ao expoente de ciência
estranho estar este, esdrúxulo e espesso
existir esquecido no extremo espaço negro
que fica entre o ontem e todos os amanhãs
que amanhecem, amanhados e amontoados
a um canto de um corredor caindo,
caindo como cometa,
correndo contra a crosta terrestre que têm
tudo, tanto teórico como prático
tanto tântrico como imediato, precoce,
percorre perto do preto porto perene
pedindo a deuses uma luz que o alumie
que acenda lugares, leitos, lentos lumes
lentamente queimam a cor perdida da palavra
sepulcros sem sepultados e masoleus
erguidos a quem nunca nasceu neste nada
neste vazio, esta pausa entre pausas,
este irritante espaço que fica entre tudo,
entre cada sorriso e entre cada lágrima,
entre cada palavra dita, omitida, desmentida
esquecida.
fel! Nojento fel que me escorre da boca
em forma de sílabas conjugadas em conjunto
atiradas umas às outras com uma pausa,
apenas para respirar e ganhar fôlego para
berrar mais ainda, para que
toda a minha raiva, todo o meu ódio,
tudo o que existe em mim de FÚRIA,
e este fel que escorre nojento da minha boca
não se acalma, não me acalma...
há cadeiras vagas que me olham nos olhos
como se alguém lá se sentasse e,
com divinas potências, me julgasse
Essas cadeiras vazias que me BERRAM
o quão inútil, ignóbil, indesejados sou
com uma voz vazia de som, esse silêncio
tão pesado.