14.2.12

trivialidades

restos de comida num prato,
as sobras do jantar de anos
a que não irás comparecer,
assombram-me a memória do que está para vir.

(um dia é apenas um dia, uma data é apenas uma data, um numero é apenas um numero)

O anel que nunca te comprei ficará para sempre fechado,
numa caixa forrada a veludo negro como a noite.

A madeira apodrecerá e cairá de velha,
e as divisões esquecerão-se de ti
e a cama deixará de ter lá aquela depressão
onde o teu corpo repousou,
feliz?,
e o pátio, banhado pelo sol da manhã,
nunca mais te verá dançar e sorrir.

O prédio será ruína,
a rua será não mais do que um atalho,
por entre a decadência de guerras futuras,
no chão ossos secos e velhos,
morte e não a celebração da vida.

A cidade será um mar,
o nosso restaurante um banco de corais,
peixes! Jantarão a comida que era nossa.

O sol explodirá em chamas,
consumindo planetas, luas e asteroides,
e os esqueletos da civilização dançarão
em chamas.

E eu,
de copo e cigarro na mão,
escrevo-te um outro poema.

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