31.1.11

incrementa-me o contador

I
muda-me o nome,
arranca-me a cara e mete outra.

II
Escreve-me uma ode marítima,
nos oceanos do teu prazer.

III
Desenha-me a carvão,
pinta-me erecto na tua boca.

IV
Vende-me numa banca da rua
como se eu fosse uma flor.

V
Rasga-me as costas com as garras,
demónio imortal.

VI
Descalça-me as luvas,
amarra-te à cama.

VII
Diz-me boa noite,
apaga a luz,
dá-me um beijo e adormece.

VIII
No escuro,
Na noite profunda,
No abismo de niilismo,
ato-te,
qual sapato brilhante,
aos ferros.

IX
Trepar monte acima,
de mochila as costas,
correr a pele suave
dum continente desconhecido.

X
ser anão,
de barba, caneca de cerveja e picareta na mão.

XI
ouvir meu nome elevado
aos céus

XII
beijar os lábios que por mim clamam

XIII
e dormir.

28.1.11

masturbo-me de ideias para fecundar o cerebro com pensamentos.

16.1.11

trezentos mil pêssegos
sobre um sofá abandonado,
bebo até a exaustão,
acordar custa-me dormir,
sonho com um dia em que
algo de bom me aconteça.

Sonho com um abraço fêmea,
um beijo de outro sexo,
uma paixão permitida
que me permita ter.

Queixo-me de tudo,
porque tudo tenho menos
o tudo que quero mesmo ter

sonho com comichão nas costas do pescoço
à beira de um profundo, místico poço.
Desejo a cura para a porcaria,
desejo a vontade de algo querer.

Putrefacto,
já morri
e apodreci.

Doí-me o corpo porque a alma está alegre,
contente, esperançada.

sei ser eu
e mais ninguém.

um cigarro mal apagado descansa no cinzeiro cheio
cheio de cinzas de outros poemas que não escrevi.
Tanto para fazer, tão pouca vontade de me mexer.
Tanto sonhos que quero sonhar,
com alguém belo do meu lado.

Não sonho porque mato o cérebro,
quão bom é matar a cabeça,
quão bem sabe não pensar
e deixar a musica encher o vazio
que enfiei em mim.

[intervalo para respirar]

o meu coração está tão frio como a neve
,que nestes lados nunca cai,
a minha alma tão morta como a esperança
,que cada dia morre mais,
o meu amor está congelado,
num frigorífico de tamanho industrial,
a espera do dia em que alguém o compre de novo...

Escrevo, apago, escrevo, apago, escrevo, apago
escrevo, escrevo, escrevo, escrevo e risco a caneta permanente.
O que eu digo, o que eu penso, o que eu dou,
é tudo meu e só meu e de mais ninguém
(quanto desejo que alguém quisesse o que é meu)
Não dou,
Não dou,
NÃO DOU
Não me peças que eu não dou,
não me peças que eu quero dar,
mas não dou por não querer magoar.
NÃO!
Ponto final, paragrafo.

Nova linha,
sem indentação,
sem sublinhados, itálicos, negritos ou chineses.
Só eu existo nesta linha,
só eu aqui quero morar,
só eu desejo ser mais do que um pixel perdido,
num mapa gigantes do nada mundial.

Verde, a cor do verde, a verde cor do verde ser.
Preto, a cor do escuro da noite do amor.

Está frio,
tenho medo,
do escuro,
da escuridão,
de ter razão
quando digo nunca mais vir a amar.

[Saudades do tempo em que me caia ao chão o estômago ao ver o objecto do desejo do meu coração, saudades de amar de maneira tão estúpida que os Deuses se raiam de mim, saudades de sorriso por ser tocado, beijado, mencionado apenas pela boca de um anjo na terra.]

Amar é estupidez,
amar é dor,
amar é morrer todos os dias,
quando temos de nos separar.

Amar custa, marca,
deixa cicatriz.
Amar custa, caro!
deixa dividas.
Amar custa, dói,
deixa feridas abertas aonde enfiar os dedos cheios de sal.

Amar é uma merda nojenta que quero evitar!
Ah, tão bom seria assim pensar...

na ausência do amor,
que poso fazer senão fumar e beber?

12.1.11

-Poema?
-Não, obrigado,
não é do meu agrado.