as da alma não saem,
arranco-as com as unhas,
e espero pelo sangue a escorrer,
quente,
perna abaixo,
até me tocar o pé,
até sujar o chão.
Uma gota do meu sangue inútil,
igual de tantos outros antes de mim,
sem mais peso do que os outros passados,
já nem me choras a mim
e eu,
que te carrego ao pescoço,
qual maldição,
qual bênção,
qual tormenta invisível,
escondida,
presente.
"carregarás para sempre essa dor"
- dizem-me -
"e nunca a esquecerás"
- dizem-me -
"e sofrerás até ao fim"
- dizem-me -
"por teres perdido o que existia"
- dizem-me -
"não carregues essa outra cruz,
guarda-a numa caixa onde não a vejas,
esconde de ti,
a lembrança do que parecia ser."
Não és outra apenas.
Não és um numero,
uma estatística,
um checkpoint por onde passei :
és a tal,
a que eu perdi.
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