da babel mergulhada
no ócio do esquecimento,
uma psicose indiferente,
uma tentação puxada a ferros,
um exagero divino
era essa a reminiscência subtil
do pecado original:
abdicar da mistificação do amor,
acreditar que a nitidez do sentimento
era não transubstancial,
que a metafísica do coração
eram apenas poemas de velhos bêbados
era na sexualidade incontinente
em que se apoiavam como bengala
qualificando-se apenas pela proeza
pela pujança, pelo seu numerus clausus,
que se refugiavam do real
na convicção inexorável de que
a patética herança da existência
era apenas a morte
no doméstico banal do carnal,
na superação contractual do básico,
no desprezo racional ao sobrenatural,
em todas essas faces ele aparece,
esse, o mal do mundo, fim do fundo,
o núcleo escondido do adúlterio,
a porta do Apocalipse eterno,
o término fatal da criação.