14.4.06

o passado, meu amor, é a unica razão de ser do presente.

passado
nunca é passado
presente é passado
futuro será passado

passado é sombra
sempre constante que não foge.
Passado, caralho!
enterra-te em ti,
e dá-me futuro!

(ai porra que cai,
do alto pedestal onde te coloquei
quando ai acima fui
ver se te mudava o oleo!)

Sentei-me no chão
e olhei-te altiva
orgulhosamente parva,
olhando-me como se um burro eu fosse,
incapaz e inflexivel,
não mudas,
nunca mudas,
não mudaras nunca,
mas não me deixas ser
quem eu realmente sou,
PORRA!

meu amor..
cala-te e reconhece
que eu não sou,
que eu não serei,
que eu não mudo,
que eu não mudarei,
que eu sou quem sou
por ser quem fui
e que tu és apenas
mas um grande apenas,
reconheço sim,
mais uma pedra que caiu no meu lago.

k diz:
tu és outra coisa diferente
és presente
elas são passado
és uma nova era para mim
és agora a minha razão de ser
e apenas o agora intressa!

O passado já foi
o futuro pode nunca chegar
o presente,
o agora,
o momento que agora é,
e dai a nada já não será.

para que questionar
o inquestionavel?
Não duvides
que a duvida consome
e queima a carne
e mata lentamente
(como tabaco,
drogas e alcool)
e da duvida nada nasce
que não seja a dor
de nada saber.

Questiona apenas
o que tem resposta
não perguntes o que não queres saber,
pois eu não o quero reponder,
por te amar,
por te querer,
por querer ser feliz junto a ti,
nunca te poderia responder,
pois não seria justo te mentir...

13.4.06

passado

Sofre, trespassada pela dor,
sofre, morre o meu amor.

Aguçadas lanças,
de prateada ponta e gume,
"morre queimada ao lume,
lume sagrado onde danças"

"Não o quis fazer"
Digo sem sequer saber,
que minto descaradamente,
a ti a todos, à minha mente.

Sofre, quase que morre o meu amor,
sofre, esbofeteada, espancada pela dor.

A lamina curva da traição,
espetei-a em teu ventre amado,
rasguei carne até ao pulmão, coração,
e tracei meu triste fado.

Sofre, esmaguei-te com a dor,
sofre, a tua morte meu amor.

O doce licor de mel venenoso,
num calice te dei a beber,
e olhei para ti arrependido, orgulhoso,
vi-te a sufocar até morrer.

Sofre, chegou a morte, meu amor,
Sofre, triturada pela tua dor.

Sufucado pela corda que te matou,
caminho preso à tua sepultura,
sozinho com o nada que me ficou,
e o teu nome na pedra dura.

Sofro, estrangulei-te com a dor,
Sofro, fui eu quem te matou meu amor.

Descansa agora finalmente sossegada,
não te posso matar mais minha amada,
tornaste-te sagrada,
por morrer apaixonada..

8.4.06

I
numa viagem sem fim,
caminho até não chegar,
ando, calcorreio, e não.
não. não. não.
sim, eu quero,
mas sem querer,
deixei de saber s o quero
ou prefiro não querer.
talvez eu queira
só por não querer,
talvez me doa,
só por não doer,
talvez nada seja o que aparenta ser.
ao fumo dos cigarros,
que se eleva aos céus,
ao café nas chavenas,
que acorda e aquece,
ao alcool ao vodcka,
que embraiga sem se ver.
Nas catedrais dos nossos dias,
joga-se à bola,
não se reza.
Nos cemitérios dos nossos tempos,
não chegamos a apodrecer,
somos expatriados para a fogueira,
se não morremos,
somos queimados.
Nos agoritmos da nossa vida,
não há espaço para amar,
só trabalho, só trabalho,
sem tempo para parar.
II
ao frio da noite,
que nos envolve,
ao calor do dia,
que não aquece,
ao olhar de uma senhora,
que nos enche de orgulho.
Nas estradas de negro alcatrão,
procuramos um caminho,
vago e incerto, até a razão.
Nos becos imundos e escuros,
escondem-se poetas e artistas ,
morrem homens e mulheres.
Nas noites impudicas,
criam-se novos rebentos,
mais bocas para alimentar,
mais mortos para morrer.
ao sol que não aquece,
à lua que não brilha,
ao alcool que é sempre.
Nos trilhos de lama
que a vida são,
perdemos o sentido,
esquecemos o norte,
morremos solitários.
ao trabalho,
que nos consome
ao dinheiro,
que dá fome,
à comida,
que não comemos
Na lua fria e esquecida,
enterramos nossos medos,
as esperanças ficaram lá.
III a espera doutro dia
as correspondencias
do metro
ao chegar lá,
ao já lá estar.
IV
ao parar e voltar,
ao escrever sem parar,
aos fins abruptos.

natal

que soem as trombetas!
o chamamento foi feito!
que cantem os guerreiros,
na carnificinia da batalha,
que dançem espadas e escudos,
furando armaduras e cotas!
que morram os valorosos,
cavaleiros e peões,
que brilhem ao sol!
os estandartes erguidos,
que chova sangue quente,
Sobre o campo de batalha!

que subam aos céus,
que desçam ao inferno,
os cruéis tiranos,
os bravos soldados,
que vivam para sempre,
os herois imortais,
que se escrevam cantigas
sobre a batalha final,
que os anjos as cantem,
nas nuvens celestiais!

que durmam em paz,
os guerreiros que sofreram,
que volte a tranquilidade,
ao mundo destruido.
que cessem as guerras,
neste dia sagrado

6.4.06

In a dark night
night darkens souls
and darkening souls
sail away to a land no one ever said to be true.

(small are the letters
and small is the poetry.
Killed by those I never loved,
betrayed by me self,
I bide the Gods
good riddance and godspeed
I'm going away
to a land far away.)

So be it true,
so be it sad,
there is no joy
in being mad!

(am I really mad,
or is the world about
madder than me?)

Small are the letters,
I say again,
for small is the size of the fight,
and small is the will of the writer,
and small is the world I see,
since none is bigger
than me.

stfu, m4d4phu|<3r!>

2.4.06

ODE

AH! PUTAS E VINHO VERDE



ah! Putas e vinho verde,
ah, sexo e bebedeira,
ah, sangue e visceras no chão!

canto de novo,
ao mundo novo,`
à deparvação da alma,
a carne que comanda,
ao sonho sexual,
ao cio, ao impulso animal!

(ah, . . .
. . . no chão!)

Não resistam ao instinto!
Conheçam-no,
amem-no,
subjuguem-se a ele!
O subconsciente que vença!
Sejamos a sua presa,
que voluntáriamente,
notem bem!,
se enrodilha na armadilha!

(ah!, . . .
. . . no chão!)

Esqueçam regras,
Esqueçam tabus,
Esqueçam mandamentos,
escutem meus ensinamentos!
Matem os Preconceitos,
Matem os deveres e direitos,
Matem-se a voces,
se tal vos aptecer.

(ah! . . .
. . . no chão!)

Embebedem a mente,
envenenem o cerebro,
espanquem os neurónios!
Vodcka, Tabaco Droga,
Os deuses da nossa geração!

(ah! ...
... no chão!)

Classes sociais,
e outras coisas que tais,
ideias, sonhos, ideais,
tudo vai ser cinza,
por isso queimemos já!
Tudo quanto arde,
é tudo quanto há!

(ah! . . .
. . . no chão!)

Revoltem-se contra quem olha,
Destruam quem espia,
Matem quem vos aborrece,
só assim a dor esmorrece!
Após tudo isto,
em alcool afoguem-se!

(ah! . . .
. . . no chão!)

Não acreditem em Deus,
Não acreditem em fantasmas,
Não creiam na alma,
nem na ilusão do dinheiro!
O que tu quizeres,
é teu de direito!

(ah! . . .
. . . no chão!)

Titulos de transporte,
licenças de condução,
idades limite,
vamos fazer
acidentes de viação!

(ah! . . .
. . . no chão!)

Viva o Caos,
Viva a destruição,
Viva à morte,
à fome,
à guerra,
à peste,
Os quatro cavaleiros,
que não existindo,
(não acreditem que sim!)
mesmo assim
nos levarão!

(ah! . . .
. . . no chão!)

À dor!
que nos dá a vida,
alargando de nossas mães,
a cona de onde nascemos!
do sexo animal,
Todos somos filhos,
e nisso sim, somos todos irmãos!

(ah . . .
. . . no chão!)

À Senhora de preto.
doce dama que não é,
ao deixar-la chegar
para que possamos,
em fim, passar!

(ah! . . .
. . . no chão!)

à poesia,
com letra pequena,
que nos dá que fazer,
quando do mundo,
Oh triste mundo!,
queremos fugir!

(ah! . . . / . . . no chão!)

Às pessoas que mudam,
mas são as mesmas,
o mesmo olhar,
(aprovador,
escandlizado,
apavorado!)

(ah. . .
. . . no chão!)

E por fim,
para acabar,
terminar
finalizar,
matar,
e tudo o mais
que o mesmo signifique,
AO CHEGAR!

Ah, Putas e Vinho VERDE!



John Gama EI-OE-OG