e a existência torna-se uma tira de tédio
pontilhada de pequenas explosões de raiva
um corredor sem fim
portas de felicidade trancadas, espalhadas.
as janelas dão para coisa nenhuma
e no entanto postro-me nelas
fumando esparsamente
uma anêmica mistura doente de poesia
e hipocrisia
não há chaves,
não há saídas,
não há aspirina para a dor de cabeça
que nasce na mente
sou apenas tão irreal como todos os outros
mas sinto-me menos ainda
que aqueles que mortos já não sofrem
inteiras Babilônias e Atlântidas
(é sempre esdrúxula a civilização morta)
nascem e morrem em cada segundo do meu ser
crescem e caiem num inspirar
as suas ruínas cheias de areia
são tudo o que me resta para ver.
espero.
não conheço meta alguma para esta corrida
mas não me aceito parado,
não me aceito voltando atrás,
não me aceito desistindo,
se futuro houver, será à frente que ele está
dói-me o corpo, rimando ele assim com a alma,
de certo modo parece-me bem,
se não sentisse o mesmo por fora
como saberia que o sinto mesmo cá dentro?
aguento, a fita chegará ao fim,
se antes ou depois de mim
cabe aos deuses saber.
24.10.18
7.10.18
suéca
numa praça árabe explode alguém
bazar de sangue e tripas pelo ar
e Deus, num café, jogando as cartas
numa casa de banho pública
uma criança chupa a pila a um velho
em troca de rebuçados
e Deus, num café, joga as cartas
numa esquina escura esfaqueiam
alegres e sorridentes
uma velhota daquelas fofas e inocentes
um marido bate na mulher
e sai para ir às putas foder
num bar cheio de fumo
jovens anarquistas planeiam
"plantar bombas em igrejas!
disparar bazookas sobre procissões!
veneno! numa fábrica de Coca-Cola!"
e, num café qualquer, Deus joga as cartas
na parte escondida de um recreio
crianças espancam crianças,
"és gordo caixa de óculos,
mereces morrer!"
um patrão chama a secretária
para lhe enfiar a mão na cona
enquanto ameaça despedir-la
um frustrado condutor de autocarro
passa mesmo sobre a poça de chuva
e acelera
encharcando quem por ele esperava
e Deus, num café, jogando as cartas
nos banheiros os presos fazem fila
para violar quem acabou de chegar
o guarda, de costas na porta, filma,
à noite terá material para se masturbar
depois da mulher se ir deitar
e jogando as cartas num café Deus está
o dono de uma cadeia de restaurantes
sorrindo ao ver quanto lucro mais terá
quando começar a cozinhar carne podre
nos seus famosos hamburgers
um madeireiro pega fogo a uma floresta
e foge dali para receber o dinheiro do seguro
e Deus num café a jogar as cartas
bazar de sangue e tripas pelo ar
e Deus, num café, jogando as cartas
numa casa de banho pública
uma criança chupa a pila a um velho
em troca de rebuçados
e Deus, num café, joga as cartas
numa esquina escura esfaqueiam
alegres e sorridentes
uma velhota daquelas fofas e inocentes
um marido bate na mulher
e sai para ir às putas foder
num bar cheio de fumo
jovens anarquistas planeiam
"plantar bombas em igrejas!
disparar bazookas sobre procissões!
veneno! numa fábrica de Coca-Cola!"
e, num café qualquer, Deus joga as cartas
na parte escondida de um recreio
crianças espancam crianças,
"és gordo caixa de óculos,
mereces morrer!"
um patrão chama a secretária
para lhe enfiar a mão na cona
enquanto ameaça despedir-la
um frustrado condutor de autocarro
passa mesmo sobre a poça de chuva
e acelera
encharcando quem por ele esperava
e Deus, num café, jogando as cartas
nos banheiros os presos fazem fila
para violar quem acabou de chegar
o guarda, de costas na porta, filma,
à noite terá material para se masturbar
depois da mulher se ir deitar
e jogando as cartas num café Deus está
o dono de uma cadeia de restaurantes
sorrindo ao ver quanto lucro mais terá
quando começar a cozinhar carne podre
nos seus famosos hamburgers
um madeireiro pega fogo a uma floresta
e foge dali para receber o dinheiro do seguro
e Deus num café a jogar as cartas
Subscribe to:
Posts (Atom)