31.5.12

(nós?vegetais:frutos)

eu, ________, abaixo assinado,
venho por este meio declarar
que não vou deixar de me deixar
de ser dominado
pela insanidade.

proclamo o meu amor eterno,
a minha interminável paixão,
o meu incansável desejo,
pela insensatez,
pela demência,
pela escuridão do acaso.

sou o elástico que tenho ao pulso,
e digo-me, estrangulando-me as veias :
um cigarro mais não te matará,
dois cigarros mais não te matarão,
mais do que a simples existência de mim
o faz.

penso em dormir, mas para quê,
se amanhã será igual a hoje,
apenas mais pesado de passado?

os dias
seguem-se aos dias,
e as noites esgotam-se rapidamente,
e eu,
estou aqui parado,
a fumar sempre mais um cigarro.

"está verde, senhor, não a comais já"
diz-me o universo de maçã na mão
(e que bem cheira a maçã!
 e que saborosa parece a maçã!
 e que doce o sabor que me ficou nos lábios
 depois de lhe provar a casca!),
e espera o universo que eu espere!

E só para lhe fazer a desfeita,
(e só porque a maça depois de madura,
 saberá tão melhor;
 e só porque a maçã é uma maça,
 e tem sentimentos de maçã,
 e não a quero ver só caroços no caixote de lixo)




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