27.2.12

a fria mão da ganacia.

a puta do mundo cai,
à minha volta nada excepto ruínas,
a cinza ainda quente do abraço suave das labaredas.

Tudo se desmorona,
lentamente, grão a grão, o cimento volta a tornar-se areia,
lentamente,
sempre lentamente,
tudo volta ao nada,
civilização,
pátria,
amor,
nada.

Arde, filha da puta,
civilização!

Arde, até sobrarem apenas migalhas
do que era teu.

Arde, arde arde!
Que as chamas lavem a tua impureza,
que o fim te sirva de lição
e volte a ser virgem a tua mão.

vamos todos ser transformados em merda!
vamos todos ser números,
estatísticas sobre mortes e nascimentos,
pontos percentuais
num registo frio
da guerra que ai vem.

Todos cairemos,
todos tombaremos,
todos morreremos.

O fim está próximo,
e vem nas mãos da ganancia.

26.2.12

incêndio

arde mundo.

Arde e eleva-nos
ao céu.

arde mundo!
Arde e leva-nos
ao fim.

arde mundo,
arde até nada restar,
arde até sermos cinza,
arde até eu me esquecer de amar.

arde mundo,
gloria eterna espera-nos
nas chamas do fim.

24.2.12

Ali, do outro lado do rio do ser


Existimos como malabaristas,
atirando ao ar certezas e desejos,
e deixando cair sonhos no chão,
só para os vermos a partir.

Pequenos pedaços de imaginação,
futuros que nunca serão,
como lascas de uma apara de um lápis
que decidiu não mais escrever.

Somos uma série de linhas
num guião escrito por Deuses
(que nunca conheceremos)
e que não podemos falhar.
Seremos apenas uma novela,
entretenimento fácil
para seres que não nos amam?
Seremos apenas uma sombra,
qual marionetas puxadas por cordas,
de Senhores que não existem fora de nós?

No castelo imenso da minha mente
existem fadas duendes e um elfo
que levanta a sua espada negra
e a espeta no meu coração,
sangrando-me a dor
até eu cair no chão
, apagado,
uma casca inútil,
um vazio imenso onde antes um altar se erguia.

Sacrifiquei-me a uma Deusa,
imolei passado e futuro
para ser junto a ti
que não estás aqui.

...

...

...

...

Reticencias marcam os versos que não escrevo,
escrever doí e cansa e mata.

21.2.12

antes de deitar

palavras,
tudo palavras inúteis,
sem significado,
sem emoção,
sem nada de tangível onde agarrar.

São palavras,
não querem dizer nada,
são ocas, vazias, cascas de uma definição.

São letras,
num padrão aparentemente aleatório,
a quem os deuses da gramática
deixaram
(naquela há muito perdida tábua de pedra)
um nome,
uma voz,
uma razão.

Mas são vazias!
Apenas a concha!
Apenas um desenho de algo,
sem que sejam esse algo.

Dizer que te amo,
é vazio e nada quer dizeR.

Apenas com os actos,
podemos falar.

20.2.12

apontamentos sobre uma conversa num banco de jardim (06/02/2011)

quanto será o desejo a falar
quanto será o medo de me magoar,
quanto será a verdade do coração,
que mente sempre?

Qual será o caminho certo,
existirá um caminho certo,
existirá um destino, uma meta,
um, dois, três, quatro,
cão, amarelo e azul,
gato verde e preto e roxo e vermelho
e tudo o que é gótico,
neo-manuelino e barroco.

Catedrais de ti,
esculpia e destruía e montava como um puzzle.

Uma torre de babel de mim,
pensamentos incoerentes mas constantes,
uma erecção de Deus
pela tua pele nua.

Uma floresta de sentimentos,
onde me perder contigo,
acharemos uma clareira?

Saltitar de árvore em árvore,
agarrados aos grandes mastros de madeira,
quais macacos em busca de flores para polinizar.

Vamos dançar no caralho
de uma caravela portuguesa
atravessando o oceano
em busca de casa.
(nunca a vamos encontrar,
pois a casa não está longe,
nem sequer perto.
Casa está em ti,
casa está em mim)

Cama, leito, colchão,
cama, leite, paixão.
coma, Noite, no chão.

Amanhã acordo e acaba o paraíso,
mas enquanto o sol não brilhar
será eternamente bom.

Tudo é eterno
menos a eternidade
essa é espontânea,
instantânea,
e de curta duração.

Efémera,
Risível.

Uma esfera de nada,
onde mergulhar.

Um apontamento esquecido,
uma caneta que não escreve
uma pessoa que não vê,
não sente,
não encontra.

Encontrei-me na 13ª linha de um poema
teu,
e nunca me tinha encontrado antes
mesmo quando andava à procura.

Escreveste-me na tua palma
e agora colocas-me em tudo
quanto tocas.

Eu escrevi-te em mim,
deixei que a tinta do teu nome
me penetrasse a pele
e agora não te quero fora de mim.

"Serve assim?" - pergunta o empregado,
de uma loja lisboeta de flores perdida,
boquet na mão esquerda,
a direita perdida no bolso das calças
enquanto olha para o teu peito desnudo
e eu sozinho e mudo.

Quero ir ali e não voltar,
desde que venhas comigo.
Quero ir-te aqui e não parar,
desde que te venhas comigo.

Estávamos entre ruelas
que ninguém conhece
e contra uma parede
agarrado aos teus cabelos,
geme.

Escrevi o teu sorriso numa página
e guardo-a num bolso,
para nunca te afastares de mim.


arranco as crostas da pele,
as da alma não saem,
arranco-as com as unhas,
e espero pelo sangue a escorrer,
quente,
perna abaixo,
até me tocar o pé,
até sujar o chão.

Uma gota do meu sangue inútil,
igual de tantos outros antes de mim,
sem mais peso do que os outros passados,
já nem me choras a mim
e eu,
que te carrego ao pescoço,
qual maldição,
qual bênção,
qual tormenta invisível,
escondida,
presente.

"carregarás para sempre essa dor"
- dizem-me -
"e nunca a esquecerás"
- dizem-me -
"e sofrerás até ao fim"
- dizem-me -
"por teres perdido o que existia"
- dizem-me -
"não carregues essa outra cruz,
guarda-a numa caixa onde não a vejas,
esconde de ti,
a lembrança do que parecia ser."

Não és outra apenas.
Não és um numero,
uma estatística,
um checkpoint por onde passei :
és a tal,
a que eu perdi.

18.2.12

hoje durmo no teu edredon pela ultima vez.

Olho-te,
de cima para baixo,
como quem olha uma criança,
como mestre para aprendiz.

És ainda linda,
e ver-te em paz,
mesmo que apenas fotográfica
, leva-me aos oceanos de zen.

Seguras a cabeça,
não a querendo deixar fugir,
ou seguras o braço,
não o deixando vir até mim?

Meditação gorda e feliz
no teu peito, sobre um fundo negro
e branco.

Deslocar-te os cabelos
e beijar-te a testa,
gentilmente,
como quem diz que te ama.

Sou feliz
por termos sido,
Noite que me acalma a alma.

Tanta roupa sobre ti
e vejo-te nua,
porque não me tens ai.

Aquecida por tecido,
electricidade e lareira,
não tens os meus pés
para aquecerem os teus.

Ser uma rua
e não te ter a passear em mim,
doí de verdade

Ser uma rua
sem ninguém para conduzir
é como não o ser.

Devaneio, perco-me, é tarde, "a hora urge" e o vodka acabou.

(tenho um sorriso nos lábios
e sinto ainda os restos daquela tão completa felicidade)


15.2.12

A Causa Reside na Consequência.

Somos fortes e imortais,
Deuses e seus Anjos,
que lutam contra a horda demoníaca,
de espada e fé na mão.

Somos crianças brincando com bombas nucleares,
julgado-as doces para mastigar.

Temos o poder de destruir,
de acabar com a civilização
.
.
.
.
perco-me, volto sempre a ti.


com calma

lentamente,
sempre demasiadamente lentamente.

O inevitável virá,
inevitavelmente,
eventualmente,
certamente.

Não podemos impedir,
não pudemos evitar,
não poderíamos.

14.2.12

à queda da humanidade canto / quando o futuro morre com ele arrasta o passado

o que era para ter sido,
nunca será, senão seria.

o que era para ter existido,
nunca existirá, senão existiria.

o que era para termos vivido,
nunca viveremos, senão viveríamos.

-separador de tema e tom-

Estou, continuo a estar,
estarei ainda a chorar o fim do mundo,
e este ainda nem chegou.

-separador de tema e tom-

Fomos, já não somos e custa-me lembrar-me,
que as sombras chegaram e nos esconderam
do que havia de belo neste mundo.

Agora vejo apenas a escuridão de quem está só,
apenas o vazio imenso
de uma cama sem ti.

Sou de novo singular,
sem que tenha perdido o plural no meu coração.

Sou de novo apenas eu,
sem que tenha dado por tu saíres porta fora.

O tempo corre para o dia de amanhã
e não quero que ele chegue,
e não quero que ele exista,
e não quero que ele seja,
e não quero que ele me assombre
com a sua capacidade
de me fazer lembrar.

Sobre uma lareira,
num alternativo universo,
estará um dia uma foto de nós,
tu sorridente e eu de joelhos,
oferecendo-te a minha vida.

Nessa casa que nunca será,
descansa o futuro que nunca teremos.




trivialidades

restos de comida num prato,
as sobras do jantar de anos
a que não irás comparecer,
assombram-me a memória do que está para vir.

(um dia é apenas um dia, uma data é apenas uma data, um numero é apenas um numero)

O anel que nunca te comprei ficará para sempre fechado,
numa caixa forrada a veludo negro como a noite.

A madeira apodrecerá e cairá de velha,
e as divisões esquecerão-se de ti
e a cama deixará de ter lá aquela depressão
onde o teu corpo repousou,
feliz?,
e o pátio, banhado pelo sol da manhã,
nunca mais te verá dançar e sorrir.

O prédio será ruína,
a rua será não mais do que um atalho,
por entre a decadência de guerras futuras,
no chão ossos secos e velhos,
morte e não a celebração da vida.

A cidade será um mar,
o nosso restaurante um banco de corais,
peixes! Jantarão a comida que era nossa.

O sol explodirá em chamas,
consumindo planetas, luas e asteroides,
e os esqueletos da civilização dançarão
em chamas.

E eu,
de copo e cigarro na mão,
escrevo-te um outro poema.

9.2.12

10/12/2010

The poet, alone, standing in the throne, dressed in his best clothes, the suit that still had a full leg and one matching glove with 4/5 fingers, sang a story :
"once upon a time a king there was,
and he danced all day
and fucked all night.
Beer he had in the morning,
beer he had in the afternoon,
beer he had not in the night,
for beer too much
that would have been."

Laughing the poet danced, while the tears fell down his smile. He was sad, as a poet must be, sad. The corpse of the prince lay in the table, roasted just like he liked it, the apple in his mouth, the celery in the other side. He jumped down to the ground, and took the sword of a guard. He cut a slice from the leg :
"PFU! The prince ran too much, his leg is hard!"
He cut a slice from the arm :
"PFU! The prince fought too much, his arm is hard!"
He cut a slice from the belly :
"Pfu! The prince ate too less, no meat in here!"
He cut a slice from the prices head :
"Pfu! The prince thought too much, his brain is burnt!"
He cut a sausage from the prince :
"Pfu! Hardly enough to fill the in-between-teeth."

The poet returned to his stolen throne with his stole sword and sang a stolen song, about a boy that loved a girl that loved a man that loved a woman that loved a god. The god came to earth and danced with the girl the dance of fertilization. Then the girl danced with the man and told him the belly so big she had was from his love so the man ran to the girl and accepted her love but the girl had already fallen for the boys traps, and was now dead. The boy cried because he forgot that little girls are not immortal like gods are.
And so the song ended and now the poet cried, because he was happy.
Happy the poet king was, and when he was happy he'd go out to the court and dance under the moonlight until the sun came and he went to bed.

#nonsense
#boredatwork

6.2.12

ele tem dias.

E tem dias em que me doí existir,
e tem dias em que me custa respirar,
e tem dias em que me magoa pensar.

--

adjectivamente falando,
o modo como escolhi existir,
não é correcto.
Não é bom,
não funciona.

Não sei existir só.

Pior, não o quero saber.

5.2.12

quero escrever-te uma carta.

quero mandar-te um email,
enviar-te mensagens.

telefonar-te e ouvir a tua voz,
sem sentir o frio,
sem sentir a distancia,
sem sentir o passado.

Falar-te,
dizer-te que a insanidade é boa,
que é na insanidade que achamos a força
para parecermos sãos.

Vem,
seremos insanos juntos.

Liga-me,
e diz-me "desculpa, vem-me buscar
aos campos de Orféu,
e vamos construir um palacio na encosta de um monte.
Uma torre para ti" -
dir-me-as tu
-"e um trono onde te sentas,
o teu cabelo ao vento,
que entra pela porta aberta".

E tu, de vestido preto,
longo,
ondulando ao vento,
o teu cabelo,
curto e longo,
assimétrico e estranho e só teu,
estarás lá,
no trono,
ao meu colo,
e
nos
nossos
lábios,

um sorriso que a eternidade não conseguirá nunca apagar.

3.2.12

xadrez psicológico

não fui eu,
não foi ele,
foste tu.

Ouroboros de verdade,
comes a tua própria felicidade,

serpente mítica,
alimentas-te das tuas mentiras,
e iluminas a catedral de ti com fogo-fátuo,
e truques de prestidigitação.

Amaldiçoada Pandora,
que atraiçoaste tua mãe Nyx.
O Tempo espera, bêbado,
profetizando o futuro.

Fomos pais do Sono,
Fomos pais do Sonho
e da Morte,
Noite.

Agora sou Caos,
teu filho,
teu pai,
teu irmão,
eterno turbilhão
de conhecimento e emoção
de quereres e desejos,
de vontades e relampejos,
breves,
de lucidez.

(Lúcido Lúcifer luz,
largando longas listas,
limpando leves livros,
lavando levianos legados.)

SALTOS!
hop, hop, hop,
faz o coelho,
de foda em foda
saltitando
(quero ser coelho,
foder sem parar).

se (existencia.significado.isEmpty()){
eu.relationship = new Relationship(rand);
existencia.significado.reload(eu);
}

cheque.
rei para rei quatro.
torre para rei oito,
cheque.
rei para rainha cinco.
rainha para rainha um,
cheque-mate.

06/2006

Que tudo arda,
que tudo o fogo consuma,
que a dor, a avassaladora dor,
que cá dentro queima,
que ela incendeie o mundo!

Que morram todos,
que sofram eles,
que lhes doam as lágrimas de dor,
que morram como morri EU!

Que o inverno eterno chegue,
que a neve e geada caiam,
que congelem corações, e o sangue,
que coagule nas veias!

Que seja hoje o último dia,
que amanhã o sol não nasça,
que ontem tenha sido o dia
que antecedeu o Apocalipse.

Que tudo vá para o inferno,
que tudo se foda,
que tudo vá para o caralho
que os foda!

Que a tua vontade seja feita, Tu
que comandas minha vida,
que tu me mates,
que tu me pises,
que aRDA NO INFERNO TUDO!

Que morram os caezinhos,
que morram os gatinhos,
que ardam as penas dos pássaros
que as têm!

Que acabe,
que termine,
que finde,
Que morra o amor
que tanto me deu
que tanto me tirou.

Que seja essa a tua escolha,
Que não recaia sobre mim a culpa!
Que se fodam tudo e todos,
que hoje quero apenas VODCKA!

que o álcool me mate,
que o álcool me leve,
que o álcool me perdoe, já
que tu nunca o farás!
Que merda de vida,
que tudo te dá e
que tudo te tira.
Que merda de sentimento,
que vida te injecta,
que vida te suga
que tudo é
que nada significa
que mata
que dá a vida
que mata
que dá a vida
que se FODA O AMOR!
que se fodam querubins e anjos,
que se amem entre eles,
que eu quero antes Beber!
que Deus no seu cadeirão fulmine aqueles
que insistem em acreditar nele
que há muito nos deixou.

Que arda no inferno o mundo
que é a nossa casa.

Que seja rápida,
que me tortures antes,
que me obrigues a escolher,
que eu escolha mal,
que eu te mate quando morrer!

Que seja indolor,
que contorças de dor, PUTA!
que te espetem espinhos,
que te cortem memberos,
que te doa Puta, Puta do Amor.

Que o dia de hoje não acabe,
que amanhã não chegue,
Que tudo ARDA!
Que tudo se FODA!
Que vá tudo para o caralho.


que seja.