apetece-me tudo,
com fúria e paixão,
tudo!
E mais do que tudo,
apenas me apetece nada
(nem uma moeda perdida no chão,
nem um beijo,
nem uma festa no coração,
nada!)
Apetece-me ser importante
(mais ainda!
não, não chega, mais,
mais! MAIS!)
e não apenas outro nome
na lista de contactos de quem me conhece.
Quero brindar com os deuses,
bebam comigo,
vocês que me fazem existir
ser
sofrer,
brindem à minha desgraça,
ao meu apodrecer
(lento, lento apodrecer),
bebam a mim,
bebam comigo,
bebam até cair para o lado,
bebam até que seja amanhã
e ainda aqui estaremos bebendo,
rindo,
esquecendo.
Quero querer algo que posso,
querer um desejo que não acabe
em desilusão,
que não acabe em mim sozinho
com a minha mão...
...escrevendo poemas que ninguém lê.
23.12.15
sonhar é um crime
esta noite sonhei-te:
eras um cadaver ensaguentado à beira da estrada,
o teu rosto sorria.
recem-morta, esfaqueada,
o teu sangue corria,
brilhava sobre a lua
no asfalto da rua.
na tua mão um papel amarrotado proclamava
(em letras garrafais):
"por ti nunca mais!"
e eu chorava,
deitado,
a teu lado,
molhado
no sangue que o ar fizera gelado.
morreste no sonho antes de morreres em mim,
mas é sempre um fim
o fim.
eras um cadaver ensaguentado à beira da estrada,
o teu rosto sorria.
recem-morta, esfaqueada,
o teu sangue corria,
brilhava sobre a lua
no asfalto da rua.
na tua mão um papel amarrotado proclamava
(em letras garrafais):
"por ti nunca mais!"
e eu chorava,
deitado,
a teu lado,
molhado
no sangue que o ar fizera gelado.
morreste no sonho antes de morreres em mim,
mas é sempre um fim
o fim.
30.11.15
trench
My soul is tired
And my heart
lonely.
I fell into the hole
that I dug
to keep people
away
My soul is tired
And my heart
lonely.
My pain is old
And joy
shallow.
And my heart
lonely.
I fell into the hole
that I dug
to keep people
away
My soul is tired
And my heart
lonely.
My pain is old
And joy
shallow.
30.5.15
haja liberdadezinhas! (incompleto)
hajam cartas escritas
e nunca enviadas ao poderes que o são
hajam desejos escondidos,
enfiados em gavetas secretas,
tratados que nos comandam
que nunca lemos.
Tens pornografia e bola,
cerveja e festivais,
novelas e reality shows,
Tens livros e poemas,
hip hop, r&b e kizomba,
fantasia, policiais e romances de amor
(vampiros que brilham e zombies que amam!)
Tens estágios e recibos verdes,
um RSI e subsidiozinhos,
Tens as chaves de uma casa,
(mas só as chaves serão tuas!)
e transportes ainda públicos
que te levam aos bares
onde podes beber álcool barato,
fumar umas ganzinhas baratinhas
no meio da rua.
Tens justiça e policia,
facebook e twiter,
leis anti-corrupção
e regras nos trabalhos,
Tens longos relvados onde te deitar,
apanhar sol e pensar:
se tenho tudo,
porque sinto a falta de tanto?
e nunca enviadas ao poderes que o são
hajam desejos escondidos,
enfiados em gavetas secretas,
tratados que nos comandam
que nunca lemos.
Tens pornografia e bola,
cerveja e festivais,
novelas e reality shows,
Tens livros e poemas,
hip hop, r&b e kizomba,
fantasia, policiais e romances de amor
(vampiros que brilham e zombies que amam!)
Tens estágios e recibos verdes,
um RSI e subsidiozinhos,
Tens as chaves de uma casa,
(mas só as chaves serão tuas!)
e transportes ainda públicos
que te levam aos bares
onde podes beber álcool barato,
fumar umas ganzinhas baratinhas
no meio da rua.
Tens justiça e policia,
facebook e twiter,
leis anti-corrupção
e regras nos trabalhos,
Tens longos relvados onde te deitar,
apanhar sol e pensar:
se tenho tudo,
porque sinto a falta de tanto?
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