I
Os cigarros sabem melhor
Com um beijo.
II
(És o totem da minha decadência,
E quero abraçar a decadência
E navegar nas águas,
Sujas,
Do nosso suor)
III
Prendeste os meus lábios num sorriso
e espero que atires as chaves
para o meio do mar
e nunca os libertes.
IV
Se somos sonho,
beija-me os olhos
para eu não acordar
nunca;
Se somos alucinação,
aumenta-me a dose
para eu não acordar
nunca;
Se somos reais
deixa-te ficar
junto
a mim
V
examino-me a vida
nas pausas da tua existência
em mim
e encontro-me
feliz
VI
(massajar o teu corpo todo,
enrolar-te num lençol,
lamber-te de cima
abaixo,
por-te na boca
e
acender o teu fogo.
sê a minha droga,
fumemos-nos
em conjunto,
e vamos viajar no tempo
até que a idade
nos acabe)
VII
escreves no meu corpo,
com mãos quentes,
o teu sorriso.
VIII
perder-me no oceano quente
da tua pele
e atracar nas ilhas de teus lábios,
escalar os cumes
da tua toponímia
e
mergulhar,
fundo,
na caverna do teu prazer.
correr-te as costas com a língua,
escrevendo o meu nome,
marcando-te
como minha,
ritualísticamente selando-me
como teu.
IX
Armado de espada e escudo
enfrento os teus demónios
e mato os meus fantasmas,
enterro os meus mortos,
despeço-me do passado:
tu és presente e futuro.
Num cavalo selado,
atravesso florestas e pântanos,
saltando covas,
contornando castelos,
dormindo à sombra das estrelas
sonho-te
e sou feliz.
X
gosto-te minha,
gosto-me teu,
gosto-nos nossos
sabe bem teu nome
na língua,
aquece-me
dizer-te minha
e saber-me
teu
XI
entre os futuros que imaginamos
existe um que é nosso,
e só por o ser,
é perfeito.
XII
és flor de felicidade
no pântano cinzento
do mundo,
és raio de sol
na tempestade interminável
do existir,
és sombra agradável
no calor insuportável
do verão
XIII
vou variando
quantificadores
dos sentimentos
que tenho por ti,
enormemente
muito
imenso,
bué
tanto
imensamente,
mas o gostar
não varia.
I
os beijos sabem melhor
com um cigarro.