4.3.16

Tree of Sins (incomplete)

Tree of sins,
I've planted your seed
and now I wait,
tree of sins,
for your shadow
to embrace.

Tree of sins,
bear my fruit,
feed me my mistakes
and let me
digest
them,
oh tree of sins.

14.2.16

transcende-me o bem e o mal, meu amor, elevemos-nos acima da moral e pintemos da nossa cor ,numa qualquer parede abandonada, um metafisico mural, que deixe representada a nossa paixão carnal. desenhemos com nossos corpos uma obra prima da pintura, eu serei copos e tu a cintura. caminha comigo pelas ruas, vendo as fachadas nuas e escrevendo com os olhos nelas coisas honestas e belas, gritando ao mundo: OLHA-NOS A FUNDO, VÊ-NOS FELIZ!

8.2.16

de tabaco e beijos

I

Os cigarros sabem melhor
Com um beijo.

  II

(És o totem da minha decadência,
 E quero abraçar a decadência
 E navegar nas águas,
 Sujas,
 Do nosso suor)

 III

Prendeste os meus lábios num sorriso
e espero que atires as chaves
para o meio do mar
e nunca os libertes.

IV

Se somos sonho,
beija-me os olhos
para eu não acordar
nunca;

Se somos alucinação,
aumenta-me a dose
para eu não acordar 
nunca;

Se somos reais
deixa-te ficar
junto
a mim

V

examino-me a vida
nas pausas da tua existência
em mim
e encontro-me
feliz

VI

(massajar o teu corpo todo,
 enrolar-te num lençol,
 lamber-te de cima
 abaixo,
 por-te na boca
 e
 acender o teu fogo.

 sê a minha droga, 
 fumemos-nos 
 em conjunto,
 e vamos viajar no tempo
 até que a idade
 nos acabe)

VII

escreves no meu corpo,
com mãos quentes,
o teu sorriso.

VIII

perder-me no oceano quente
da tua pele
e atracar nas ilhas de teus lábios,
escalar os cumes
da tua toponímia
e
mergulhar,
fundo,
na caverna do teu prazer.

correr-te as costas com a língua,
escrevendo o meu nome,
marcando-te
como minha,
ritualísticamente selando-me
como teu.

IX

Armado de espada e escudo
enfrento os teus demónios
e mato os meus fantasmas,
enterro os meus mortos, 
despeço-me do passado:

tu és presente e futuro.

Num cavalo selado,
atravesso florestas e pântanos,
saltando covas,
contornando castelos,
dormindo à sombra das estrelas
sonho-te
e sou feliz.

X

gosto-te minha,
gosto-me teu,
gosto-nos nossos

sabe bem teu nome
na língua,
aquece-me 
dizer-te minha
e saber-me
teu

XI

entre os futuros que imaginamos
existe um que é nosso,
e só por o ser,
é perfeito.

XII

és flor de felicidade
no pântano cinzento
do mundo,

és raio de sol
na tempestade interminável
do existir,

és sombra agradável
no calor insuportável
do verão

XIII

vou variando
quantificadores
dos sentimentos
que tenho por ti,

enormemente
muito
imenso,

bué 
tanto
imensamente,

mas o gostar
não varia.

I

os beijos sabem melhor
com um cigarro.

27.1.16

não sei gostar a prazo,
quando gosto é para sempre,
toda a eternidade,
seja ela efémera
ou imortal.


21.1.16

[pendulo a quatro tempos]

Faço sempre
o mesmo desenho,
escrevo sempre
o mesmo poema,
bebo sempre
a mesma cerveja,
vomito sempre
na mesma sarjeta.

(sou feito de repetições)

Durmo sempre
na mesma cama,
como sempre
do mesmo prato,
bebo sempre
do mesmo copo,
visto sempre
o mesmo fato.

(sou feito de repetições)

Fodo sempre
com a mesma mão,
vejo sempre
a mesma por
no
gra
fia,
vazia.

(sou feito de repetições)

Fumo sempre
os mesmos cigarros,
enrolados sempre
nas mesmas mortalhas,
acendo-os sempre
com o mesmo isqueiro,
prego sempre
o mesmo caixão.

(sou feito de repetições)

Leio sempre
os mesmo jornais;
Leio sempre
os mesmo livros;
Vejo sempre
os mesmos filmes;
Oiço sempre
a mesma musica

(sou feito de repetições)

Choro sempre
as mesmas lágrimas.
Vivo sempre
as mesmas mágoas.
Sou sempre
o mesmo eu.




   

10.1.16

imutável

nadas sobre o oceano de lençóis,
a tua escuridão brilhando mais forte
que o nada.


E antes?

E depois, digo-lhe,
há dias em que o existires em mim
se sente (por dentro, quente),
e eu não sei o que fazer,
se escrever, comer ou beber.
Se rir,
se chorar,
se sorrir,
se respirar fundo
e seguir.

E depois, discute-se,
cada pequena parte de mim com a sua opinião:
Era lixo!
Era ouro!
Era prata, e daquela má.
Era, era, era repetem as vozes
e grito eu:
SERIA! que nunca foi.

E depois, ela diz-me olá
e o mundo já não é feio,
e o céu já não está escuro,
e as coisas fazem sentido
e tudo está quase como devia estar,
até tudo voltar a ser
como realmente é.

E depois, penso
tenho coisas para fazer
sítios para ir,
chão para lavar,
comida para cozinhar,
milhares de pequenos segundos
que tenho de perder para existir.




não cresci.
Fiquei pequeno,
Continuo pequeno, pequenino, minúsculo.


4.1.16

Soneto Incorrecto

Se hoje for dia de ser
e hoje tiver de existir
que mais posso eu fazer
excepto sorrir e fingir?

Se hoje estiver e me vires,
pelo canto do olho a passar,
peço-te, não me venhas falar,
basta-me sorrires.

Se hoje me perder em mim
e não encontrares o fim,
deixa-me ser uma campa

a quem partiram a tampa.
Se hoje tiver de existir,
deixa-me sorrir e fingir.

3.1.16

é claro!

É claro que estou triste
porque ela não está comigo,
é claro que estou deprimido
por ela não estar aqui,
é claro.

de arma em riste,
por esta estrada sigo,
(onde estás, meu amigo?
 e ela sorri:
 "estás bem?"
 pergunta-me ela

eu minto,
digo que sim.