30.6.13

in vino veritas.

"Estou bêbado",
dizes, sorrindo e justificando assim o que fazes.

"Estou bêbado" e portanto posso sorrir-te,
olhar-te de longe e fingir que sou outro
quando olhas de volta.

"Estou bêbado",
um hino à vontade de ter o que não posso ter,
um desejo que se afoga
solitário
no mar da realidade.

"Estou bêbado",
dizes mais uma vez
e assim
encontras a paz
de poder dizer
o que não podes dizer.

23.6.13

perdido

perdido,
entre duvidas e certezas sem fundamento,
corro para o sol,
mas não sinto o seus raios,
quentes,
abraçarem-me como os teus braços me abraçaram,
um dia.

um dia,
e tudo o que existia
era diferente e bom.
Um dia,
e tudo o que eu era
fazia sentido de novo.

Um dia,
e agora sou nada,
desejo nada,
vivo para nada.

Estou aqui,
porque aqui quis estar,
mas porque desejei cá chegar,
se não te posso tocar?