18.2.12

hoje durmo no teu edredon pela ultima vez.

Olho-te,
de cima para baixo,
como quem olha uma criança,
como mestre para aprendiz.

És ainda linda,
e ver-te em paz,
mesmo que apenas fotográfica
, leva-me aos oceanos de zen.

Seguras a cabeça,
não a querendo deixar fugir,
ou seguras o braço,
não o deixando vir até mim?

Meditação gorda e feliz
no teu peito, sobre um fundo negro
e branco.

Deslocar-te os cabelos
e beijar-te a testa,
gentilmente,
como quem diz que te ama.

Sou feliz
por termos sido,
Noite que me acalma a alma.

Tanta roupa sobre ti
e vejo-te nua,
porque não me tens ai.

Aquecida por tecido,
electricidade e lareira,
não tens os meus pés
para aquecerem os teus.

Ser uma rua
e não te ter a passear em mim,
doí de verdade

Ser uma rua
sem ninguém para conduzir
é como não o ser.

Devaneio, perco-me, é tarde, "a hora urge" e o vodka acabou.

(tenho um sorriso nos lábios
e sinto ainda os restos daquela tão completa felicidade)


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