22.3.12

emotional loop

E o que são esses nomes,
palavras sem significado,
que te chamam de madrugada?

E que alegria tiras tu,
pobre ser despojado de consistência,
de tão frágil contentamento?

E de que te serve agora
seres bajulada e adorada e amada,
se não tens o futuro que era nosso?

E onde encontras agora esperança,
nas palavras de outro,
que te canta com palavras de outros,
nas terras que não são dele?

E porque me agarro ainda eu,
com as duas mãos que tenho,
secas,
geladas,
frias,
ao que já não é?

E onde existe para nós,
um futuro, um passado
(não manchado)
que possa recordar?

E se ele existe,
E se ele está próximo,
esse hipotético passado,
esse hipotético futuro,
esses tempos
(falsos como o tempo é falso)
onde está?

E agora és alvorada,
és lua,
és dia,
és algo que não a Noite
que és.

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