E o que são esses nomes,
palavras sem significado,
que te chamam de madrugada?
E que alegria tiras tu,
pobre ser despojado de consistência,
de tão frágil contentamento?
E de que te serve agora
seres bajulada e adorada e amada,
se não tens o futuro que era nosso?
E onde encontras agora esperança,
nas palavras de outro,
que te canta com palavras de outros,
nas terras que não são dele?
E porque me agarro ainda eu,
com as duas mãos que tenho,
secas,
geladas,
frias,
ao que já não é?
E onde existe para nós,
um futuro, um passado
(não manchado)
que possa recordar?
E se ele existe,
E se ele está próximo,
esse hipotético passado,
esse hipotético futuro,
esses tempos
(falsos como o tempo é falso)
onde está?
E agora és alvorada,
és lua,
és dia,
és algo que não a Noite
que és.
No comments:
Post a Comment