apetece-me tudo,
com fúria e paixão,
tudo!
E mais do que tudo,
apenas me apetece nada
(nem uma moeda perdida no chão,
nem um beijo,
nem uma festa no coração,
nada!)
Apetece-me ser importante
(mais ainda!
não, não chega, mais,
mais! MAIS!)
e não apenas outro nome
na lista de contactos de quem me conhece.
Quero brindar com os deuses,
bebam comigo,
vocês que me fazem existir
ser
sofrer,
brindem à minha desgraça,
ao meu apodrecer
(lento, lento apodrecer),
bebam a mim,
bebam comigo,
bebam até cair para o lado,
bebam até que seja amanhã
e ainda aqui estaremos bebendo,
rindo,
esquecendo.
Quero querer algo que posso,
querer um desejo que não acabe
em desilusão,
que não acabe em mim sozinho
com a minha mão...
...escrevendo poemas que ninguém lê.