28.12.15

it's the end of the world, but it's ok, I have beer

apetece-me tudo,
com fúria e paixão,
tudo!
E mais do que tudo,
apenas me apetece nada
(nem uma moeda perdida no chão,
nem um beijo,
nem uma festa no coração,
nada!)

Apetece-me ser importante
(mais ainda!
 não, não chega, mais,
 mais! MAIS!)
e não apenas outro nome
na lista de contactos de quem me conhece.


Quero brindar com os deuses,
bebam comigo,
vocês que me fazem existir
ser
sofrer,
brindem à minha desgraça,
ao meu apodrecer
(lento, lento apodrecer),
bebam a mim,
bebam comigo,
bebam até cair para o lado,
bebam até que seja amanhã
e ainda aqui estaremos bebendo,
rindo,
esquecendo.

Quero querer algo que posso,
querer um desejo que não acabe
em desilusão,
que não acabe em mim sozinho
com a minha mão...


...escrevendo poemas que ninguém lê.

23.12.15

sonhar é um crime

esta noite sonhei-te:
eras um cadaver ensaguentado à beira da estrada,
o teu rosto sorria.
recem-morta, esfaqueada,
o teu sangue corria,
brilhava sobre a lua
no asfalto da rua.

na tua mão um papel amarrotado proclamava
(em letras garrafais):
"por ti nunca mais!"
e eu chorava,
deitado,
a teu lado,
molhado
no sangue que o ar fizera gelado.

morreste no sonho antes de morreres em mim,
mas é sempre um fim
o fim.