12.2.05

poesia és por não seres.

Onde passam hoje os carros do futuro?
Que estradas precorrem nossos pés,
solitário, sem ajudas,
corremos nas pontes de outrora..

Morremos..
Estamos no céu,
no verdadeiro céu,
a terra já foi...

Esquecemos-nos da morte,
abandonámos os corpos sem notar,
deixamos nossas cascas no chão,
enterradas debaixo de terra,
hoje somos seres despreziveis,
e abençoados pelos Deuses..

Não acreditámos, não acreditamos,
nem a morte nos trouxe até a luz,
somos arrastados para longe,
como ume melga vista no retardador,
corremos para trás,
enquanto julgamos andar para a frente..

Estamos sombras do que estavamos..
Somos mentira, porque não falamos verdade,
ou somos verdade, porque não a dizemos?

Escondemos dos olhos do mundo
a triste realidade crua,
debaixo de versos de amor..

Amor, significado da vida,
Amor, cor dos filmes que somos..

Nada, ou a imensidão de tudo,
nada, ou o superfulo que há,
de nada sermos sem tudo termos.

Sentido, orientação, direção..
Não faz sentido,
não tem direção,
a meta não é atingivel,
a vida não é conhecida,
a morte não chega nunca.

Aos olhos do mundo a escuridão revela-se,
negra e feia,
noite escura que me acolhes,
nos teus braços choro.

Onde olham os campos,
onde fumam os charros,
onde bebem os shots,
onde morrem os vivos,
cemitério de minha alma,
noite de meu dia,
morte de minha vida,
poesia és por não seres.

3.2.05

!(poema)

(
poema não come
poema não sente
poema não dorme

poema não morre
poema não mente
poema não corre

poema não escreve
poema não deve

poema não tem pé,
poema não é.

)