2.11.14

...

sou uma puta adolescente e bêbada,
uma tresloucada da vida
que só quer pila e bebida.

Sou tudo o que há de errado com o Homem,
o ócio, o ciúme, a ira, a inveja e a luxuria.
Sou todos os pecados que há e que havia.

Sou escumalha da mais baixa e porca,
lixo que nem humano chega a ser,
e finjo apenas ser digno de viver.

megalomania e sodomia!
comunismo e hedonismo!

sou uma nódoa num pano que já não era bom.

11.10.14

cenas

a vida anda devagarinho
como um sonho em slowmotion
(a preto e branco e tudo),
dias iguais entre si,
ontem, hoje, amanha:
tudo a mesma coisa e eu ainda aqui.

Mas está tudo bem,
repito,
tudo bem,

Tudo certo, o mundo ainda gira,
o meu ser ainda respira,
as flores ainda cheiram bem
e o corpo dela (provavelmente) também,
então porque sinto que
nada importa?

sou um dia antes do próximo,
e nenhum deles me excita,
nada me arrebita arrebita,
apita, apita,
tudo igual,
tudo a mesma merda
e eu sem o nada que dela se herda.

Sou uma paragem de autocarro
onde nunca ninguém quer sair.

23.4.14

send / save as draft

Quero sair aqui e ver o teu sorriso junto ao meu.
Quero abraçar o teu cabelo com um beijo
e sentir a tua carne a dizer-me
"Olá, velha amiga"
Quero estar,
existir,
ser,
apenas junto ao teu calor.

Quero beijar-te as mãos,
que me acariciam,
que me dizem gostares de mim como eu te...

NÃO!
Não, nada é certo nisto,
devaneios e incoerências,
desejos,
desejos,
mais desejos,
só desejos
e desejos
e eu sem uma lâmpada para esfregar...

20.4.14

back to you, old friend

the city is as it was when I left
grey and indifferent.


6.4.14

Multi-layered Emotional Hubris

estou preso. Atei-me à ideia de ser algo e não sei como sair.
Choro por dentro, os olhos estão secos e não os quero abrir
e ver o mundo que me espera.

Quero esconder-me do universo
e esperar que tudo faça sentido,
mas como eu quero que o faça,
não como ele quer fazer.

aAH FODASSSE!
não quero ser mais eu!
tou farto do que sou e do que sei ser,
quero algo diferente,
quero algo melhor,
quero ser teu,
e porque?

onde ganharia alguma coisa,
onde me perderia de novo,
onde seria eu não eu
(se não nos teus braços)?

o que estou aqui a fazer?
não vinha só ver a bola?
então porque fiquei?
Perdi a porta por onde entrei,
não a sei querer encontrar de novo,
e deixo-me ficar,
qual masoquista,
matando-me lentamente com tabaco,
afogando o coração em silencio
para não dizer o teu nome,

Nem o vodka me limpa de ti,
por muito que me esfregue,
seja em que banheira for,
estás entranhada na minha pele
e não te deixo ir embora.

digo sempre que
"quando voltar"
"quando passar"
"quando chegar"
"quando partir"
mas não quero perder o pouco que me faz sentir vivo
e triste.

vivo para o teu sorriso,
mas não o consigo por nos teus lábios.

quero fugir daqui, fodasse!
quero libertar-me deste não estar
em que não sei sorrir sem ser por arrasto
em que não sei ser feliz
quando chega a hora de ir dormir.

A minha cama é fria e grande,
mas tu não a quererias aquecer.

tabaco, tabaco, tabaco, álcool e café,
tabaco, tabaco, álcool , álcool e café,
tabaco, tabaco, álcool , café e café,
tabaco, álcool , álcool , café e café,
e tudo fica na mesma.