estou preso. Atei-me à ideia de ser algo e não sei como sair.
Choro por dentro, os olhos estão secos e não os quero abrir
e ver o mundo que me espera.
Quero esconder-me do universo
e esperar que tudo faça sentido,
mas como eu quero que o faça,
não como ele quer fazer.
aAH FODASSSE!
não quero ser mais eu!
tou farto do que sou e do que sei ser,
quero algo diferente,
quero algo melhor,
quero ser teu,
e porque?
onde ganharia alguma coisa,
onde me perderia de novo,
onde seria eu não eu
(se não nos teus braços)?
o que estou aqui a fazer?
não vinha só ver a bola?
então porque fiquei?
Perdi a porta por onde entrei,
não a sei querer encontrar de novo,
e deixo-me ficar,
qual masoquista,
matando-me lentamente com tabaco,
afogando o coração em silencio
para não dizer o teu nome,
Nem o vodka me limpa de ti,
por muito que me esfregue,
seja em que banheira for,
estás entranhada na minha pele
e não te deixo ir embora.
digo sempre que
"quando voltar"
"quando passar"
"quando chegar"
"quando partir"
mas não quero perder o pouco que me faz sentir vivo
e triste.
vivo para o teu sorriso,
mas não o consigo por nos teus lábios.
quero fugir daqui, fodasse!
quero libertar-me deste não estar
em que não sei sorrir sem ser por arrasto
em que não sei ser feliz
quando chega a hora de ir dormir.
A minha cama é fria e grande,
mas tu não a quererias aquecer.
tabaco, tabaco, tabaco, álcool e café,
tabaco, tabaco, álcool , álcool e café,
tabaco, tabaco, álcool , café e café,
tabaco, álcool , álcool , café e café,
e tudo fica na mesma.