31.1.12

[pausa para respirar]

Nos macacos verdes que trepam,
alegres!
Pelo ananás acima,
Existe uma paz de espírito que só se encontra
nas cervejas abandonadas.

Uma torre de betão armado,
que sobe aos céus
e se deita sobre a areia,
qual donzela da novela
descansando merecidamente
na areia de Carcavelos

"Somos Deuses de antigamente" -
gritam os carros que passam,
chupando sedentos o sangue
, negro sangue.

No laboratório,
Na torre,
No castelo,
A bata, branca em tempos
aberta ao vento,
os braços tentando abraçar o universo
e nos seus lábios,
na sua garganta,
o riso,
demente,
insano,
malévolo!

27.1.12

I've been calling for ages


Can't you listen?
I SCREAM your name at night,
Night.

I tear my skin,
I rip my soul apart,
I need you,
and you don't need me.

And if you do need me,
I am here.
I am always here.

Please don't wait so long
that all turns to anger,
that all turns to pain,
that all turns to rage.

"e pudesse eu pagar de outra forma".

26.1.12

na Noite morreu o mestre.

abandonei o traje de mestre,
o cajado caído junto a uma porta.
despojei-me de ensinamentos,
limpei-me do conhecimento.

Sou apenas um numero,
insignificante.

Uma virgula,
no paragrafo que escreves.
Uma linha entre tantas,
na folha que escreves.
Uma letra amalgamada
numa palavra que escreves.

(porque não escreveste nós?)

Apodrece dentro de mim a esperança,
por falta de água.

Como,
Bebo,
Durmo,
Trabalho,
sem rumo.

Não vou para a frente,
o que quero está atrás.
Silabas, métricas, espaçamentos, quadras, pausas.

Uma espiral de ser nada
e a lado nenhum chegar.

Uma pausa, um intervalo,
o interregno.

a cortina levantar-se-à de novo,
e tenho medo do público que me olha.
a cortina levantar-se-à de novo,
e tenho medo dos artistas sobre o palco.
a cortina levantar-se-à de novo,
e tenho medo que não o faça.

O átomo,
indivisível e uno.

A viagem,
essencial e solitária.

A impronunciabilidade
e a septicidade
e a inevitabilidade (ah, que me fode sempre a inevitabilidade)
chegam,
existem,
desaparecem.

(sou o pouco que resta
do que deixaste no prato.
.
.

Vens acabar o jantar?)



25.1.12

procuro-te onde não te vou encontrar

escavo buracos,
para ver se estás enterrada lá,

abro portas,
que eu mesmo fechei,
e procuro-te entre as caixas
(são tuas,
as caixas e as minhas lágrimas)

22.1.12

boa Noite

Aprendiz,
aprendeste algo comigo?

Noite,
fiz-te ver o sol?

Amor,
sentiste o estômago a tremer?

Viajante,
encontraste em mim
um sitio onde descansar?

Ferreira,
forjaste espadas em mim?

Doce,
fui açucarado quando querias?

Rainha,
fui um súbdito bom?

Senhora,
não quero desistir de nós,
mas o mundo força-me a esquecer,
a deixar-te,
a viver
sem
ti.

Como se isso fosse possível!
Viver sem ti.
O horror da ideia ainda não me bateu.

Vivo sem ti há 20 dias,
e ainda não me apercebi
que não voltas.

(volta por favor)

A musica lembra-me de ti,
todas elas.

Hoje sonhei que fumava,
à janela,
olhando para ti,
e sorrindo,
pois era feliz.

(voltava a fazer tudo de novo)

roadtrip music

Viajo kilometros sem fim,
percorro toda a extensão do mundo
e não me levanto da cadeira.

Não quero selvas,
savanas,
desertos,
florestas,
matas,
bosques,
serras,
cordilheiras,
montanhas,
praias,
lagoas,
ribeiras,
nada.

Só queria que aqui estivesses,
fora isso,
que saibas a falta que me fazes.

21.1.12

Nesta Margem Espero Teu Regresso

Cantar-te-ia um caminho,
cantar-te-ia uma vida,
e até mesmo um universo.

Não te os cantei já?
Não te disse já aonde ir,
aonde nos encontrar-mos,
aonde poderíamos chegar?

Porque não me ouviste,
como eu te oiço ainda,
chamando por mim?

Onde estás?
Não pode ser tão longe
que eu não consiga lá chegar.

(Quero correr para ti,
agarrar-te nos meus braços,
e chorar o que nunca mais seremos)

Rainha Eterna, Noite

Dei-te a minha vida,
jurei-te a minha lealdade,
e pus meu ser em tuas mãos,

Eterna Rainha.

Tornei-me teu súbdito,
acolhi tuas leis para minhas,
ofereci-me como sacrifício a ti,

Rainha Eterna.

abandonei a minha individualidade,
para existir somente em ti,

libertei-me do passado,
e moldei-me ao teu presente
para construir o nosso futuro conjunto,

Noite Eterna.

Mas abdicaste,
largaste a tua coroa,
desceste as escadas,
e já não voltas.

O teu trono está vazio,
nenhuma bandeira está agora hasteada,
excepto o vazio imenso de não seres parte de nós.

Sou uma pedra de um castelo abandonado,
uma inutilidade estatística,
um resto de uma qualquer divisão.

sou eu,
e sou-o
só.




18.1.12

P is for Porn!

P is for Poetry!
P is for Problems!
P is for Prostitution too,
although that one I didn't knew.

P é de Parvo,
e das suas cônjuges.
P é de Pé,
que me levam até :
ti;
elas;
ela;
eu;
ele;
eles;
nós.

O que é nós?
Existe ainda nós?
Foi um sonho meu,
um sonho teu,
um sonho nosso?

Os sonhos,
todos eles e é isto que eles tem de mau,
acabam.

17.1.12

entre o m e o p

entre o m e o p
nada.

nem Noite
nem dia,
nem vida,
nem morte,
nem sonho,
nem realidade.

Nada.

Com toda a importância
que o ser Nada
comporta em si.

Entre o M e o P,
apenas uma linha vazia,
sem um N
que a aqueça.

Nada,
capitalizado,
pois o capital
é senhor
(e sem ti,
não sei querer continuar).

Nada.
Nothing.
Niente.
Nickles.
Nenhuma coisa,
Noite.

entre o m e o p,
onde antes existia paraíso,
existe o Nada.
tic, tac,
mamas de pixel,
tic tac,
(rima com pincel)
tic tac,

o tempo não passa,
despacha-te!
Corre, corre ponteiro,
atravesa essa casa,
e não pares até cá chegares de novo
uma,
e outra,
e outra vez.


tic tac,
engano o tempo,
tic tac,
engano a vontade,
tic tac,
porque quero tanto sofrer?

14.1.12

A Alegria do Passado Compensa a Dor do Presente

A culpa dorme sobre os meus ombros,
por me ter permitido ser teu.

A culpa descansa nas minhas costas,
por me ter oferecido sem reservas.

A culpa é apenas tua e tua apenas.

10.1.12

não quero,
não quero sequer pensar nisso,
não quero pensar
não quero pensar
não quero pensar.

limpa-te cerebro,
limpa-te em droga,
limpa-te em musica,
limpa-te em jogos,
e quem sabe encontras um sorriso.

8.1.12

ela não volta.

perdi-a,
e ela não volta.

perdi-a e foi para sempre.

perdi-a,
e porque?

7.1.12

100 / sem

abro e fecho janelas,
percorro ligações
e procuro pistas.

quero saber de ti,
quero que saibas que o quero.

quero-te aqui,
mas não estás,
mas não voltas,
mas não sei o que fazer.

sem ti,
a cama é demasiada,
o quarto é frio,
esta cadeira perdeu a graça
e não há nada que eu faça
que não me lembre de ti.

Estás nas coisas que digo,
estás nas coisas que leio,
estás em tudo o que escrevo.

Noite minha, sou velho.
Sou um fóssil,
uma relíquia,
despojo de um universo anterior,
e sinto-me assim hoje.

"whenever I'm alone with you you make me feel like I am home again / whole again"

Não existe casa para mim,
a minha casa era nós,
e agora nós desmoronamos-nos,
com um só gesto.







"fomos"
-"foi"
--"era"
---"antes"
----"ex" //este doí mais que os outros
...........porque nunca acreditei dize-lo de ti. //
---"acabou"
--"terminou"
-"findou"
"morreu"
-"não volta"
->"it ceased to be."

6.1.12

pause

definição :
corte no continoum espacio-temporal
no qual o tempo não se mexe.

4.1.12

ainda acho que é tudo uma brincadeira,
que te vais rir na minha cara,
e voltar aos meus braços.

ainda não acredito que possa acabar assim,
sem aviso prévio, sem razão.

Não acredito no que me dizes,
e o que acredito,
não compreendo.

QUero um buraco onde me esconder do universo,
e só sair de lá, quando,
se deixares de doer.

Não percebo, meu amor.
Não entendo, Noite minha.
Não faz sentido!
Não pode ter acontecido assim,
isto é um sonho
e hei de despertar.

3.1.12

se fingir que nada aconteceu,
se fingir que está tudo bem,
se evitar todas as decisões,

posso continuar a viver na duvida,
na esperança de tu acordares,
e te lembrares de mim.

2.1.12

tenho de começar a tirar-te de todo o sitio,

aquele post-it, escondido no meio dos outros.
lembro-me de pensar que isso ia correr mal,
que outra pessoa que não tu,
o fosse encontrar.

Agora ninguem o vai encontrar.



preciso de ti,
onde estás?
porque não me seguras nos teus braços
e me sussuras ao ouvido
que tudo ficará bem?

porque não dás sinais de vida?
porque não estás aqui,
volta,
preciso de ti.

Volta,
preciso de ti.

Volta, por favor.
quero te escrever mails,
centenas de linhas de coisas belas
que te apaixonem por mim de novo,
que te façam sorrir ao ver-me sorrir
que me deem razões para sorrir.

quero-te de volta,
o teu corpo encostado ao meu,
a tua respiração audivel no quarto.

(não te beijar de manhã é um crime
um pecado capital,
uma inegavel deteoração da sociedade,
um fim anunciado.)

Me vs Poetry, round 2.

"one day I'll go, dancing on the moon"

one day is a powerful thing.
one second is enough to destroy a universe,
to implode it into nothingness,
suspending it in temporal stasis,
where time moves not,
nor does my heart.

"I never had no doubt"
I never had Garbage or Guano Apes either,
I just knew.
And I knew wrong, you say.
Or I knew right and you know wrong.

Or everything that exists is a lie,
and I stand in between it,
crying with dry eyes,
waiting for the day.

the day. That day, today,
any day,
but just come.

Twenty four / Forty two

I've begun talking to myself
alone in the room.
I've fallen asleep talking to
cats and someone not there.

I break every sentence
in the middle :
they too should feel
brok-
en.
.
.
.
.
.
.
.
(dots. dots doting the dottery)
.
dot
.
dot
.
dot
.
dot.

(don't want to think about
You
but what else
is there,
now that
You
are not?)

1.1.12

(estou aqui, diz ela de machado na mão,
esperando por ti,
para te estripar)