14.2.12

à queda da humanidade canto / quando o futuro morre com ele arrasta o passado

o que era para ter sido,
nunca será, senão seria.

o que era para ter existido,
nunca existirá, senão existiria.

o que era para termos vivido,
nunca viveremos, senão viveríamos.

-separador de tema e tom-

Estou, continuo a estar,
estarei ainda a chorar o fim do mundo,
e este ainda nem chegou.

-separador de tema e tom-

Fomos, já não somos e custa-me lembrar-me,
que as sombras chegaram e nos esconderam
do que havia de belo neste mundo.

Agora vejo apenas a escuridão de quem está só,
apenas o vazio imenso
de uma cama sem ti.

Sou de novo singular,
sem que tenha perdido o plural no meu coração.

Sou de novo apenas eu,
sem que tenha dado por tu saíres porta fora.

O tempo corre para o dia de amanhã
e não quero que ele chegue,
e não quero que ele exista,
e não quero que ele seja,
e não quero que ele me assombre
com a sua capacidade
de me fazer lembrar.

Sobre uma lareira,
num alternativo universo,
estará um dia uma foto de nós,
tu sorridente e eu de joelhos,
oferecendo-te a minha vida.

Nessa casa que nunca será,
descansa o futuro que nunca teremos.




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