30.9.05

sentir é inutil (e isto é o verdadeiro poema)

Não existe sentimento
que sendo sentimento
seja também importante.

Nada do que é sentido
faz qualquer sentido,
ser algo predominante.

Sentimentos são verbos
só que sem qualquer acção
e sem movimento.

Amar, odiar, honrar, sentir
são coisas sem sentido
que para nada são uteis.

7.9.05

temporalis

três
dois
um.
Já passou o tempo de ser
já passou o tempo de esquecer
já passou o tempo que foi
já passou o tempo que será,
já passou tudo de bom
já pasoou a dor e tristeza.

Só uma coisa não passa
porque o tempo não a deixa
passar,a certeza incerta e mortal
da morte que há de chegar.

Tempo que foste,
tempo que serás,
tempo que és,
diz-me tu oh tempo,
quanto tempo o tempo tem?
"o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem"
o tempo itemporal responde.

E tempo que temporadamente passa
quanto tempo tenho de tempo,
para temperar o meu tempo?

Se o tempo que tenho
não chegar, oh tempo,
onde posso mais arranjar?

Tempo tempo tempo,
tempo não chega
tempo que sobra
tempo que foi.

tempo que doi,
tempo que ri,
tempo que chora,
tempo que passa
sem nunca passar.

9.6.05

poema da solidão renegada

Noite, a ti reneguei.
fugi da noite escura
para o sol do dia.
Renegou-me o sol,
escondeu-se de mim,
deixou-me sozinho.
Mudei para a tarde,
para o lusco-fusco,
o crespusculo pontapeou-me!
Renegado pelo dia,
reneguei a noite,
pontapeado pelo fim de tarde!
Agora vivo fora do tempo,
longe das tiranas horas,
vivo só para/por mim!
Pais tiranos,
Mães ditadoras,
casas em regime militar!
Espaço! Espaço!
infinito espaço negro!
morte ao regime parental!
poema que cresce,
poema que cresce,
poema que rebenta!
Quero liberdade criativa,
quero liberdade para suicidio,
lento, lento, lento!
Foto-grafico!
Foto-porno-grafico!
Foto-Porno-Hardcore-gráfico!
Noite! vem e salva-me,
salva-me de novo!
salva-me do dia!
Salvai-me da tirania,
Salvai-me do dia!
Salvai-me da minha familia!
choro baba e ranho,
tristeza fria,
salvai-me da tirania!
Falar é facil,
dormir é facil,
fugir é facil!
Lutar mata,
lutar destroi,
lutar corroi.
suicidio doi a escrever,
suicidiu é fuga facil,
embora dificil!
Livro de curso,
assinatura certificada,
morte pausada!
Porra, Merda, Caralho,
portiuguês é lingua santa,
Foda-se, filha da puta!
Pais, Mães, Tios, Avôs!
tirania familiar,
sim senhor, HAIL! o/
(poema vai ficando grande,
poema vai crescer,
poema vai rebentar!)
vemos o que vai lá fora,
porque não o que está ao nosso lado?
porque não queremos ver!
"a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha"
mesmo quando se droga e bebe
mesmo quando apanha por detras!
poema não é poema.
poema é representação ficticia,
da vida real!
(do drugs, do cigarettes, do alcool,
kick your parents, kick them all,
kill your family, become a wonderwall!)

(o que começa meu, acaba teu, o que começa nosso não acaba)
(para sempre meu amor..)

20.3.05

POEMA!

não existe poeta hoje em dia
que não sofra com a sua alegria.

A escuridão a morte o drama
são as cores da nossa vida,
quem vai connosco para a cama,
é quem dita a medida.

(poema sem rimar
é carro sem andar,
mas deixará de ser carro,
se as rodas não o moverem
do lugar?)

nada faz sentido,
nada nunca fez.
poema não existe,
poeta nenhum Deus fez.

Querer é poder,
escrever é matar
,assassinar ideias,
mutilar desejos.

Nada faz sentido,
nada nunca fez.

Não sei que tema usar
para este poema continuar
por isso vou inventar
e deixar-me rimar..

Tudo o que é,
um dia não foi,
tudo o que é,
um dia não será.
tudo o que foi,
um dia deixará de ser,
se não tiver já parado,
se não o deixarmos morrer.

Não há história verdadeira,
há boatos com certezas,
há pistas plausiveis,
há mentiras a cada canto.

Ciume é feio,
feio de morrer.
Mas se é assim,
porque temos de o ter?

"Continuar sempre mais um pouco"
é este o mote para mim,
se bem que paro assim que começo,
por não querer acabar.

(terei eu medo do fim,
que inevitavelmente chega?
Terei eu medo do novo inicio,
entre chamas e labaredas?)

Parar é morrer.
não é FPS mas quase,
escrever sem parar,
escrever sem destino,
escrever sem direcção,
escrever sem tema,
escrever sem vida.

Morrer um dia todos morremos,
esperemos, oh esperemos,
que esse dia não chegue!

continuar, continuar, continuar.
Tenho fome de comida,
tenho fome de tabaco,
tenho fome de tudo o que não posso ter.

Desejo-me morto,
para não poder morrer,
mas desejo-me vivo,
para poder viver..

Carregar em tecla após tecla,
riosamente carregar,
poema é morte,
morte é parar!

12.2.05

poesia és por não seres.

Onde passam hoje os carros do futuro?
Que estradas precorrem nossos pés,
solitário, sem ajudas,
corremos nas pontes de outrora..

Morremos..
Estamos no céu,
no verdadeiro céu,
a terra já foi...

Esquecemos-nos da morte,
abandonámos os corpos sem notar,
deixamos nossas cascas no chão,
enterradas debaixo de terra,
hoje somos seres despreziveis,
e abençoados pelos Deuses..

Não acreditámos, não acreditamos,
nem a morte nos trouxe até a luz,
somos arrastados para longe,
como ume melga vista no retardador,
corremos para trás,
enquanto julgamos andar para a frente..

Estamos sombras do que estavamos..
Somos mentira, porque não falamos verdade,
ou somos verdade, porque não a dizemos?

Escondemos dos olhos do mundo
a triste realidade crua,
debaixo de versos de amor..

Amor, significado da vida,
Amor, cor dos filmes que somos..

Nada, ou a imensidão de tudo,
nada, ou o superfulo que há,
de nada sermos sem tudo termos.

Sentido, orientação, direção..
Não faz sentido,
não tem direção,
a meta não é atingivel,
a vida não é conhecida,
a morte não chega nunca.

Aos olhos do mundo a escuridão revela-se,
negra e feia,
noite escura que me acolhes,
nos teus braços choro.

Onde olham os campos,
onde fumam os charros,
onde bebem os shots,
onde morrem os vivos,
cemitério de minha alma,
noite de meu dia,
morte de minha vida,
poesia és por não seres.

3.2.05

!(poema)

(
poema não come
poema não sente
poema não dorme

poema não morre
poema não mente
poema não corre

poema não escreve
poema não deve

poema não tem pé,
poema não é.

)

8.1.05

como sangue espalhado pelo chão,
sou livre de matar, de voar!

como sombras de um sonho obscuro,
estou preso na prisão onde me encontro.

a vida não existe, sonha,
o sonho não desiste, insiste!

Se querias muito, tiveste pouco,
se quizesses pouco, terias muito.

para onde quer que olhe,
uma só coisa é visivel:

morte, sombra e destruição,
três faces da mesma cara!

Musica, embebeda-me os ouvidos,
enche-me de tanto nada.

Sonho, por sonhar, que sonhar
me vai levar a algum aldo incerto.

descanço, na paz do Senhor,
que o frio me leve de volta ao utero!

que o mundo nunca tenha começado,
ser tudo energia é o meu sonho,
um dia..

Que se oblivie a luz do sol,
que as nuvens escondam o dia,

que a noite seja eterna,
que o mundo acabe agora mesmo!

Esperanças. espectativas, desejos,
tudo mentiras inconcebiveis!

Que nada exista, que tudo seja!
Que ninguem minta, que ninguem fale!

Onde quer que vá, estarás lá sempre,
sombra de mim mesmo, alma de meu corpo.

Para qualquer lado que me vire,
sempre a mesma cara aos meus olhos.

Morreste e estás viva dentro de mim,
senhora horripilante que não existe!

Olha em frente, acredita no que foi,
o que será pode nunca vir a ser,
mas o que foi nunca deixará de o ser.

Musica, musa dos céus,
enche-me com o teu dom,

dá-me linhas onde escrever
a tragédia do mundo e do tempo,

a dor de ser e existir,
o horripilante estado de pensar!

Escondido no meu ser,
espero, anseio, pela luz que virá.

Um dia morrer é um sonho
que todos conseguimos alcançar,
menos aqueles que o desejam.

Viver para sempre, alegria imensa!
Ou será antes a maldição que nos condena?