23.10.24

supositório

bizarra sadólésbicóultra-violência
sagrada raiz cultóabrasadora
engolida goela abaixo, ventre adentro
o fugir perpétuo perpendicularmente
à estrada, aquela, a única estrada
a que vai de sítio nenhum acabar no nada.

rotunda electrómecanica automatizada,
aqui não cabem nomes, só espaços,
espaços micrósofisticados para pobre
dormir à beira de um beco sem fim,
caixa de cartão inviolável universo instável
e dor palpável nas palavras inventadas
na paralelepipédica acolchoada do chão

parede vírgular entre o vazio celular 
e a mitose metaquânticópulsante
dos supradependentes da propaganda 
teleimaginética enviada em tsunamicas
ondas de vácuosa ideológicómortal substância

escondidos da suprema vitignorancia daqueles sábios
que inebriadópesados se arrastam
pelas ruas da amargurante casa pensante 
torre márboreantóbranca altiva
verborreiam adjectivando as crianças
ascendentes e descendentes da revolução 
com as cores do sujo do pobre do fraco 
meritocratodivinal liturgia que os guia

na finalizóterminação caustica da coisa
há uma negação prosaica do sentido
uma queda em direção ao pós modernismo
buraco negro da significação simbólica
e nada se retira da metafísica de tudo

no fim, a esta hora tudo é supositório:
se acreditas que funciona....