13.9.20

mansão

 no começar de uma noite

havia uma pausa

um espaço entre quem está

e quem estará


uma brecha,

um começar

após um finalizar

um renascer em mim,

conhecer de novo quem sou

e onde nasci


um novo ponto final

onde acaba tudo o que é

e começa tudo o que será,

uma mansão que olha

despreocupada

as terras que lhe dão de comer

e sobre elas chora,

lágrimas de dinheiro,

sempre dinheiro, ouro, sal.


uma casa sobre um monte

que não é seu

mas onde sempre viveu


um promontório

que vê o mundo

longe

e afastado,

como a tristeza sempre o é,

da realidade


estamos aqui,

longe do mundo que nos viu

que nos fez crescer

que nos deu o aparecer as

sob a luz do sol


somos essa casa senhorial

no monte

na espectativa do futuro,

perdidos

mas não desencontrados

ainda.