no começar de uma noite
havia uma pausa
um espaço entre quem está
e quem estará
uma brecha,
um começar
após um finalizar
um renascer em mim,
conhecer de novo quem sou
e onde nasci
um novo ponto final
onde acaba tudo o que é
e começa tudo o que será,
uma mansão que olha
despreocupada
as terras que lhe dão de comer
e sobre elas chora,
lágrimas de dinheiro,
sempre dinheiro, ouro, sal.
uma casa sobre um monte
que não é seu
mas onde sempre viveu
um promontório
que vê o mundo
longe
e afastado,
como a tristeza sempre o é,
da realidade
estamos aqui,
longe do mundo que nos viu
que nos fez crescer
que nos deu o aparecer as
sob a luz do sol
somos essa casa senhorial
no monte
na espectativa do futuro,
perdidos
mas não desencontrados
ainda.