19.6.06

Louvo os Deuses em que acreditei,
Louvo os Deuses em que não creio,
Louvo as regras que aceitei,
Louvo quem em meu enlaço veio,
Louvo as Deusas que me protegem,
Louvo as Deusas que me matam,

Louvo o poema que não acaba.

louvo quem me ajudou
louve quem me prejudicou,
louve quem me ajudar,
louvo quem me prejudicar,
louvo quem me amar,
louvo quem me odiar,

às doces discussões matinais
ao acabar em te amar
ao nunca parar de escrever
pois no escrever está a razão de viver
ao som inconfudivel do silencio!

às responsabilidades éticas,
às supremas necessidades do amor,
à doce e amarga, suave adorada dor!
À inflexiblidade da métrica!

À tristeza de se ser apenas o que se sonhou,
de sermos o receptaculo esquecido
do ser que em nós morou,
sempre escondido!

À dualidade da mente, forte esquizofrenia;
À supremacia da infalivel cacofonia,
que ecoa na caixa craniana vazia;
À simplicidade da união, à doente patologia!

Ao amor que é o meu,
ao coração que bate comigo,
ao beijo onde meu coração ardeu,
as caricias que minha pele recebeu,
ao doce pescoço suave, macio, sempre amigo,
Ao Amor que é o meu.

À sacerdotisa do sol,
Senhora e Dona do meu coração,
as flores cruas e brutais,
que nos montes da suiça crescem,
e no meu coração, amadas florescem,
as paixões itemporais,
que nasceram do mundo na criação.
À sacerdotisa do sol.

Aos sonhos bons,
Aos sonhos maus,
Ao saber-te junto a mim,
Ao querer-te sempre aqui,
Ao saber que diras que sim,
Ao "quero-te desde que te vi";

Aos desenhos bons,
Aos desenhos maus,
Ao desenhar-te sempre a ti,
Ao sorrires sempre para mim,
Ao quanto eu perdi
...tão cedo quando pude eu vim...

À tristeza,
mão que comanda o mundo,
à doce pobreza,
que nos enterra mais no fundo.

À rima previsivel,
ao tom negro e sombrio,

Ao gótico;
Ao negro;
À noite;
À escuridão;
Aos negros designios,
As escuras cavernas;
Ao silencio absoluto.

Ao morrer e não nascer,
ao nascer antes de morrer.

Ao triste fado que nos condena a vida,
Ao frio destino que para nos as parcas teceram.
Ao "caralho!, tenho a mente toda fodida!"
Ao nobre grito sobre o qual, altivamente, te enalteceram...

As palavras caras
de significado dubio,
Ao escrever agora nubio,
apenas para rimar. As aparas!

Ao poema forçado,
Mui de meu agrado,
sinto-me condenado,
a estar do seu lado.

Ao cinismo!
"ainda bem que pode vir,
Senhora Dona Métrica."

Ao verdadeiro pensamento
"Puta do caralho,
Fascista do orvalho,
Cabrona de merda,
és velha e lerda!"

Ao ser livre de dizer
"Caralho,
Foda-se!
Puta
de Merda,
Cabra,
Cabrão,
Chupa-me
O pilão!"

À Policia Interna da Defesa do Estado!
Á Agencia Central de Inteligencia,
À Gestapo, À KGB, À Mossad, Ao MI5!
À extrema-direita,
À extrema-esquerda,
Ao extremo-centrismo,
Ao raio que os parta,
Ao caralho que vos foda,
Ao filha da puta que vos arrebente os cornos!