26.1.12

na Noite morreu o mestre.

abandonei o traje de mestre,
o cajado caído junto a uma porta.
despojei-me de ensinamentos,
limpei-me do conhecimento.

Sou apenas um numero,
insignificante.

Uma virgula,
no paragrafo que escreves.
Uma linha entre tantas,
na folha que escreves.
Uma letra amalgamada
numa palavra que escreves.

(porque não escreveste nós?)

Apodrece dentro de mim a esperança,
por falta de água.

Como,
Bebo,
Durmo,
Trabalho,
sem rumo.

Não vou para a frente,
o que quero está atrás.
Silabas, métricas, espaçamentos, quadras, pausas.

Uma espiral de ser nada
e a lado nenhum chegar.

Uma pausa, um intervalo,
o interregno.

a cortina levantar-se-à de novo,
e tenho medo do público que me olha.
a cortina levantar-se-à de novo,
e tenho medo dos artistas sobre o palco.
a cortina levantar-se-à de novo,
e tenho medo que não o faça.

O átomo,
indivisível e uno.

A viagem,
essencial e solitária.

A impronunciabilidade
e a septicidade
e a inevitabilidade (ah, que me fode sempre a inevitabilidade)
chegam,
existem,
desaparecem.

(sou o pouco que resta
do que deixaste no prato.
.
.

Vens acabar o jantar?)



No comments: