27.6.12

vozes

"não desejo sumo,
 mas lábios.


 não quero beber,
 quero beijar!


 alimentar-me-ei do teu sorriso,
 e o meu dever único : 
 cultiva-lo e vê-lo crescer."


"será engraçado de ver" - interrompe o narrador, copo de vinho na mão,
cigarro mal aceso no canto dos lábios - "um troglodita a arar a terra!"


"farei da tua felicidade
 a razão do meu acordar!"


"esqueçam o pobre coitado," - o narrador de novo, copo agora vazio,
e o cigarro ainda queimando só de um lado - "está perdido em sonhos,
 nadando nas nuvens,
 de seta no coração.


 Sonha que ela o ouve,
 sonha que ela existe,
 sonha que ele é real."


"ERGAM-SE! LUTEM!"


"não fujas, 
 não fujas, 
 não fujas,
 não quero perder mais."


"desiste de seres tu, sê outro alguém, sê eu."


"vai dormir,
 velho poeta,
 que o amanhã não espera,
 e o hoje,
 já não serve."


 "uma última linha, uma gota final de poema, um beijo!"


 "... não."




9.6.12

a horta ardeu

Olhei para ela,
e reguei-a de mais,
e a horta ardeu,
e o terreno,
nunca mais será fértil.