"não desejo sumo,
mas lábios.
não quero beber,
quero beijar!
alimentar-me-ei do teu sorriso,
e o meu dever único :
cultiva-lo e vê-lo crescer."
"será engraçado de ver" - interrompe o narrador, copo de vinho na mão,
cigarro mal aceso no canto dos lábios - "um troglodita a arar a terra!"
"farei da tua felicidade
a razão do meu acordar!"
"esqueçam o pobre coitado," - o narrador de novo, copo agora vazio,
e o cigarro ainda queimando só de um lado - "está perdido em sonhos,
nadando nas nuvens,
de seta no coração.
Sonha que ela o ouve,
sonha que ela existe,
sonha que ele é real."
"ERGAM-SE! LUTEM!"
"não fujas,
não fujas,
não fujas,
não quero perder mais."
"desiste de seres tu, sê outro alguém, sê eu."
"vai dormir,
velho poeta,
que o amanhã não espera,
e o hoje,
já não serve."
"uma última linha, uma gota final de poema, um beijo!"
"... não."