22.3.12

TABELAS!

nome, numero, saldo, preferência sexual.
chaves primárias, secundárias, estrangeiras.
seleciono o teu nome,
só para ver se ainda existes aqui.
actualizo o teu estado,
e choro ao ver-te apenas outra.
apago o teu registo,
apenas para o inserir logo de seguida
na tabela dos históricos.

escrevo-te um programa
para que não me esqueças,
para que não me descartes,
apagues e formates de dentro de ti.

FICA! não te vás embora.

(demasiado tarde eu grito,
demasiado tarde eu luto,
demasiado tarde eu tudo)

estornaste-me a afectação a ti
e agora não tenho relações,
sou de um para nenhum,
seta sem sentido,
seta sem direcção,
seta sem orientação,
seta sem razão.

sou um numero,
um registo apagado,
um numero de sequencia

ultrapassado.

emotional loop

E o que são esses nomes,
palavras sem significado,
que te chamam de madrugada?

E que alegria tiras tu,
pobre ser despojado de consistência,
de tão frágil contentamento?

E de que te serve agora
seres bajulada e adorada e amada,
se não tens o futuro que era nosso?

E onde encontras agora esperança,
nas palavras de outro,
que te canta com palavras de outros,
nas terras que não são dele?

E porque me agarro ainda eu,
com as duas mãos que tenho,
secas,
geladas,
frias,
ao que já não é?

E onde existe para nós,
um futuro, um passado
(não manchado)
que possa recordar?

E se ele existe,
E se ele está próximo,
esse hipotético passado,
esse hipotético futuro,
esses tempos
(falsos como o tempo é falso)
onde está?

E agora és alvorada,
és lua,
és dia,
és algo que não a Noite
que és.

13.3.12

(devagarinho,
vai fugindo de mim
a tristeza profunda
e com ela
as palavras.)

não te vendo,
não vendo quem és hoje,
apagas-te de mim
e escrevo-me de novo
só.

11.3.12

não te percebo.
não entendo os saltos
a vontade de ser outra
de outro futuro,
como podes pedir algo diferente
da perfeição que seria?

Não compreendo,
não sei se o quero perceber.
Faltas-me.

Não me sentes longe?

8.3.12

Os esqueletos em chamas / dançam de novo.

O deus imortal morreu,
assassinado pela razão fria que te tolda o cérebro.

Caiu de seu pedestal,
e quebrou-se no chão
qual vaso Ming.

O colosso, mais forte que todos antes dele,
revelou-se fraco e de papel,
queimado até ser cinzas
por uma pequena chama.

Os titãs que agora batalham
sobre os corpos esquecidos do que éramos,
são sombras e imagens distorcidas
da realidade que nós fomos.

Cem mil anos passarão
e as ruínas ainda aqui estarão,
abandonadas e esquecidas,
uma flor sem nome
nem cor
solitária sobre o altar.

Sou os restos do que fomos,
e deles farei o jantar do meu futuro,
ele que se alimente da desolação que sou,
ele que me consuma a melancolia,
e no fim me regurgite,
substancia pastosa,
amorfa,
sem sabor.

6.3.12

o titulo é uma ilusão.

Salto precipício abaixo,
todos os dias o faço,
porque nas rochas que me esperam
existe dor.

Salto de olhos bem abertos,
quero ver a terra engolir-me
e sentir cada ramo
de cada árvore
a bater-me.

Chicotes, dizes-me.
Grilhões e prisões, mestres!
e nada aprendido.

(és insanidade? és loucura? és poeta?
PORQUE CANTAS TU A MINHA CANçÃO
quando já não és minha
para a cantar
contigo?)

Eu sei o que queria dizer,
e digo-o a viva voz,
vezes e vezes sem conta
dentro da minha cabeça)

2.3.12

mental noise.

o teu sorriso novo
é tão feio como a tua nova alma :
desprovida de felicidade.

O teu novo ser
é uma torre de mentiras e ilusões,
um poço sem fim
para onde me atiraste.

Sou agora apenas outro
dos monstros do teu passado,
e povoamos o fosso
que existe entre o que és
e o que os outros te vêem.

afundo-me,
lenta, lenta, lentamente,
afundo-me.

sempre mais longe,
mais longe do passado
mais longe de ti,
tão mais longe
de nós.

Atiro facas ao meu coração,
rasgo na minha pele
o teu nome que esqueci.