As vezes imagino, com prazer,
uma pessoa boneco-vodoo,
de fato, gravata, monóculo e cartola,
para cumprir à letra o estereótipo,
em quem espeto com precisão acupuntural
um pin para cada um dos males do mundo
uma pessoa boneco-vodoo,
de fato, gravata, monóculo e cartola,
para cumprir à letra o estereótipo,
em quem espeto com precisão acupuntural
um pin para cada um dos males do mundo
E faço-a sofrer, eu justiceiro-vingador,
mestre juiz executor superior,
com toda a maldade que sei inventar
Sodomizo, a essa pessoa imaginária,
com uma estaca de madeira afiada,
farpada e de pregos tétanicos carregada,
lentamente, saboreando o prazer
de fazer sofrer e ver escorrer o sangue
Enforco e lincho, estropio e esventro
rasgo-lhe a carne com garras de raiva
e bebo-lhe o sangue de um cálice dourado
gritando-me bárbaro conquistador
da verdade e justiça o verdadeiro senhor
e na adrenalina endorfinica da hubris
esqueço-me que apenas imagino
Despejo-lhe ácido do sulfúrico,
do fluorantimônico concentrado
e até tríflico na pele até que ela arda
e se desfaça em nada
e fique exposto ao sol o interior podre
Carbonizo em fogo lento esse ídolo
putrefacto e bato palmas alegre
ao ver rebentar cada uma das pústulas
de bílis e pus numa explosão de nojo
que espalha pelo chão da minha imaginação
o cheiro fedorento da maldade
No fim, como tempero único
apenas um picante molho indiano
para esfregar nas feridas abertas
e trincar-lhe a carne queimada
e dela saborear sofregamente o elixir ícórico
da escuridão que vive na humanidade