19.12.06

Ela morreu, morreu em mim,
o amor deu-lhe finalmente um fim,
à poesia que corria dentro do meu ser,
o amor esfaqueou-a até ela morrer!

Ela andou livremente,
a desavergonhada ia mesmo contente!
nua correndo no meu sangue quente,
e o amor matou-a, inocentemente.

Morreu assim o poema que eu era,
para nascer o futuro que me espera,

Sem poesia,
Não existe tristeza,
tudo é alegria,
E na doce beleza,
da menina que me sorria,
matei eu a poesia!

Sem saber já escrever,
como antes odes escrevia,
vejo-me a desaparecer,
por já não ser poesia.

Poema, poema, onde estás?
Procuro-te e não te encontro,
voltarás?
Procuro-te em mim,
e lá fora no sol que brilha,
mas aqui apenas a dor de não escrever,
me dá forças para viver.

(Estranha dor,
que enche de amor,
me alegra até mais não poder conter o grito de alegria!
e me entristece por ter morto a poesia...)

"Eu sei,
a tua vida foi
marcada pela dor
de não saber aonde doi
mas vê bem
não houve a luz do dia,
quem não tenha provado o travo amargo da melanconia!

Então rapaz, entãoporquearaiva,seaculpanãoéminha?
São

Os
Efeitos
Secundários
Da
Poesia
.
.
.";

Amanha há de vir,
e com ele eu irei sorrir,
por ter estado desagradado
de não saber escrever,
aquilo que só me deu com que sofrer,
pois o poeta sofre,
de sofrer,
mas mais ainda sofre,
de razões para chorar não ter!