mesas de café cheias
,e a chuva que cai!
inundando os copos
acariciando os corpos
beijando as faces como lágrimas
AH! exclamar
AI! suspirar
AU! queixar
no poente está sempre quente
e, ao nascente somos demente
mas não é de gente ter dente
Ei! chamar à atenção do coração a mão
tocar alaúde de forma crude e rudimentar
como que a escavar a terra recém revirada
não sei se saindo ou entrando no caixão
Oh! Ventos e marés
Oh! Prédios e chaminés
Oh! Carros e cancros
Oh! Putas e cabrões
Oh! Chinelas e tamancos
Oh tu, lambe-me os culhões.
como mortalha sem cola
,se enrola e não fecha
fumados as escondidas atrás do pavilhão
comer pastilhas e lavar a mão com sabão
para que o cheiro se vá primeiro
e fique apenas o travo adocicado
d'nosso cruel,imperdoável pecado
Ih, inspirando e rindo
fosse toda a casa um cinzeiro
e eu apenas uma beata que nele veio morrer
sobre a prata de um maço roubado
Ui, são dores as cores das flores
Ui, que flui da garganta para fora
Ui, ele diz que está na hora de se ir embora
e fica à porta a invejar o ar que roda a volta dela
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