andar perdido por ti à noite
e de um miradouro gritar
(até que doa a puta dos pulmões)
a tua beleza cheia de estranheza
apaixonar-me de novo pelas tuas ruas
onde velhas fumam à janela todas nuas
virar numa esquina que não conheça
e fotografar-te as caralhadas
que na pele de pedra tens pintadas
desejar-me amnésico, só
para te aprender de novo
como se fosse a primeira vez
que estamos a foder
correr
pelas pedras da tua calçada
sem estar a fugir de nada
que não esteja dentro de mim
olhar-te as fachadas
imaginar conas as tuas portas
e querer entrar em todas
à bruta
fazer-me puta
para poder passar a noite
abraçado pela escuridão dos teus becos
e ouvir neles os ecos
de quem berra de prazer
e
chorar nas esquinas
lágrimas pequenas pequeninas
como as que choram as meninas
ao sofrer
entrar-te num tasco
sujo que mete asco
pedir uma imperial
e descer outra estrada qualquer
sentindo-me, como tu, imortal
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