14.1.18

zen garden of my heart


de entre mil milhares de milhões dos melhores melosos melões
não há outra colherada que queira dar que não acabe nos teus lencois
és jardim de pedras e areia vestindo vestido negro
e no desenhar das tuas curvas repouso regaço e respiro aberto:
na fúria tempestuosa de viver entre a chuva ácida e o sol assassino
existe um farol de zen e nenhuma lotus cheira ao teu sorrir.

subir-te aos cumes do Everest
e nos himalaias da paixão enterrar
todo o tesouro que é teu, meu

bebo-me de nós, travo amargo, atroz
e porém tão doce e pacifico

nas pedras do teu jardim
encontrei-me a mim
olhei para o meu abismo
e cismo de eu para eu
que a felicidade existe e é verdade
mas o cheiro das rosas vermelhas
cheira ao sangue que cai das mãos
quando abraço teus espinhos

sou todas os valas à beira da estrada
e em mim há lixo e mais nada,
sou valeta e sarjeta
e para mim corre
corre
corre
a água da chuva e toda a porcaria
e é o lixo do mundo
que me enche a alegria ao fim do dia

ancinho na mão e sorriso no focinho
desenho devagar devagarinho
nas areias do teu ser
o yin e yang dos fins que são curtos
e das eternidades que não vão acabar

caveira desdentada
vestida de preto rasgado
sou o cadáver putrefacto do super homem
que me sonhei



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