que tudo cobre e em tudo se entranha
poeira de estrelas, poeira de sonhos
manta cinzento-amarelada sobre a realidade pousada
escondendo o tudo do nada
os meses tornam-se espadas espetadas em pedra
e a perda dos fins é o encontrar do novo começo
e à porta das torres constelacionais
as estrelas não entram e não se sentam: existem
os dias nascem como que caídos da cona de uma égua
sem anestesias ou cesarianas que os puxem fora
da espuma incolor do potencial para o reino do que já é
as horas abrem-se e são penetradas pelo tempo
devagar como quem faz amor
rápido, como quem fode contra a parede suja
rit-mi-ca-men-te
até que o tempo se vêm dentro da vagina horária
e prenhas de minutos as horas se distendem
e nascem de novo num ciclo sem fim
e no olho do turbilhão tudo gira tão rápido
que amanhã é já ontem e daqui a uma semana agora mesmo
e a meio caminho do infinito chegará, tudo,
à janela sem porta, tecto ou parede que a segure,
apenas um nome que é seu e uma paisagem de paz
que escapa por detrás dos castanhos olhos vítreos
emoldurados que estão no quase negro das cortinas
lavo as mãos e os dentes com sangue que de mim derramo
e amo
o toque quente da globulina e albumina
e é tão fina a pele que me protege da passagem do tempo
desfazendo-se ao toque em pó e terra e merda
colapsando-se como um arranha-céus no apocalipse
entulho de mim mesmo enchendo contentores
de todo o tipo de horrores
catalogados que estão anjos e demónios
escolher um no directório e mandar vir pela rede
para que não esteja só
quando voltar ao pó
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