PUTA!
cavaste em mim um abismo
E agora sou apenas as paredes desse poço
As pedras gastas pelo tempo e a água da chuva
O vazio negro, cheio de noite, mais real que eu
E,
O nada que me tornaste enche esse espaço
Entre o que fui e o que sou e o que serei.
Traiste.
Essa esporra de outro que te escorre pelas pernas
Uma faca espetada no meu ser, coração
Coração,
Querida,
Amor!
PUTA! CABRA!
SER NOJENTO, ASQUEROSA!
Símbolo de tudo o que é maldade, sujo!
Quero-te estropiada, esventrada,
A tua pele tão furada como eu fiquei!
Anseio ver-te numa sarjeta,
Coberta de vermes que te comam a carne,
Baratas correndo sobre as tuas mamas, podres
Lindas, amadas...
Desculpa,
Não, não te quero morta, cadáver apodrecido,
Quero-te aqui,
Volta,
Não me deixes,
Não me troques por outros,
Eles...
Eles não te amam!
Eles não te querem!
Eles não te fodem como te fodo eu,
Desculpa, como te fodia eu, que agora,
Agora,
Só fodo os rins, os pulmões, as mãos a garganta,
De berrar o teu nome
Em cada esquina perdida onde vou vomitar,
Bebo até cair,
Quero vomitar-te para fora de mim!
Quero que saias com a bílis e os destroços sujos
Do meu estômago
E que fiques, para sempre, numa poça de nojo
Coberta de merda
Coberta dos vômitos dê mim
E assim
Estarei contigo,
O meu asco misturado no teu,
Os dois,
Para sempre juntos numa poça de tudo o que é
Nojo, esterco civilizacional, MERDA
MERDA!
Que perdi quem era quando ele te fodeu
E ele, ele não era eu,
Ele era todos os outros, mas não eu
Ele era mendigo, ele era milionário,
Ele era a PUTA que o pariu,
Ele,
Não era eu
E agora,
Agora,
Que faço?
Bebo.
Fumo.
Esqueço,
AH FODASSE!
Quero esquecer-me de mim, de ti, de tudo
Quero ser apenas o abismo que em mim cavaste.
Finjo que fujo,
Finjo que me vou embora
E que te abandono,
E que te esqueço,
E que nada disto me importa
Mas...
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