14.2.18

Tempo Intangível




e os dias caiem sobre mim como chuva ácida
queimando a pele em rugas cavando crateras 
um dois três interminável sequência inútil
que a lado nenhum almeja ou chegará sequer
construir-se castelo uma pedra de cada vez
e as ameias esperando pelo sol do meio dia
mas as nuvens cobrem-nos em sombra de medo
"é o degredo! é o degredo!" 
a plebe berra estridente, o meu povo grita
colonialismo imperialista de peles brancas 

e eu que vou armado só duma lança de sílex
,protejo-me detrás da deslocação dum tempo 
que insiste em não cumprir o seu desígnio.

sou todos os ecrãs de loading encravados
e nenhuma password me abre ao futuro

vesti o branco do funeral na pele
e deixei o negro de festa no armário
escondido o trapo sujo do meu sémen e suor 
entre duas meias sujas de sangue menstrual
finjo-me de novo inocente, virginal 
imolando os pecados enrolados numa mortalha
fumo-me intensivamente como quem corre para a morte
que desta vida não poderei tirar mais sorte.

escondo-me na multidão de fato e gravata
disfarçando assim a ausência de existência
e aborreço-me de tudo e de mim mais ainda
sinto-me o poço sem fim de todos os meu medos
e o balde que os puxa à superfície para que apanhem sol
e se bronzeiem de realidade.

e então,
durmo.


















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