musgo cresce no muro e o céu está escuro
lama na estrada e, aqui tudo vale nada
estamos perto de estar longe
e à distância
tudo parece que padece do que merece
mas
(e há sempre um mas na percepção)
nada do que se encontra
quando os deuses se afronta
é real ou normal
como a aurora boreal
brilha numa trip de ácidos
e afoga, afaga aflama a cama
ama!
nada mais te servirá de razão
nem casa nem carro nem televisão
nem sexo com a tua mão
nem dormir sob as estrelas no chão
só amar
eternamente amar
constantemente, amar
por isso, filha da minha imaginação
AMA
arrasta alguém para a tua cama
deita-o em cima do colchão
beija e geme
treme
abre o coração
liberta as amarras
somos feitos de amor
e parecemos sempre escolher viver na dor
o muro irá cair, o musgo irá crescer
e os deuses vão se rir ao ver
quão frágil é o querer
de alguém que têm de morrer
por isso ama,
que é imortal o amor
e efémera a dor
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