22.12.17

12/04/2011

Quero sentar-me numa cerveja,
beber uma esplanada de penalti
e ver o sol passar de mini-saia,
banhado pelos raios das rapariguinhas.

Quero uma grade de férias
e beber uma semana de cervejas
todos os dias.

Quero não fazer sentido
e não ter de o fazer,
quero deitar-me num palheiro
e fingir-me agulha,
esperando que alguem se pique em mim.

Quero uma dor permanente
que me afogue a mágoa de ser feliz
e quero uma doença estranha
apanhada numa chavena de café
para poder ser inválido
e não ter de trabalhar.

Quero ser uma caneta,
nas mãos de uma poetisa,
nos dedos de uma poetisa,
entre as pernas de uma poetisa.

Quero mergulhar na areia e nadar
até chegar à àgua onde caminharei
rumo à infinitésimal probabilidade
de estar feliz.

Quero um coelho
que me estufe e ponha no forno,
me corte umas fatias
e saboreie com arroz branco.

Quero ser uma carruagem,
a central,
de um qualquer expresso do ocidente
(que o oriente está gasto).

Quero ser a unica vaca do prado
e mastigar toda a relva
com a raiva de quem é único.

Quero ser cavalo e cobrir èguas,
quero ser cão e foder as primas,
quero ser lagarto e pôr ovos.

Quero ser dor no pescoço de alguem

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