o vestido preto como a noite que nos rodeia
só o teu sorriso brilha
tudo à volta é a ausência de tudo
e no silêncio quase absoluto
o teu respirar vibra como trovoada
relâmpago incandescente
no meu ser
olho-te a silhueta,
sombra entre sombras,
adivinho mais que vejo as formas
que conheço tão bem
do teu corpo
e trinco-me nos lábios
em desejo
sussuro-te,
para que o silêncio não fuja,
"sou teu"
e o teu respirar solta um suspiro
que me diz "e eu tua"
dou um passo
e acolhes-me em teu abraço
os nossos lábios procuram-se,
encontram-se,
tocam-se,
sem pressa,
num beijo de desejo silencioso
apertas-me contra ti,
o teu peito
furando o meu,
"faz de mim poesia"
gemes ao meu ouvido
e a minha mão escreve amor nas tuas costas
e a minha mão percorre-te lentamente,
com calma
sem pressa
soltas-me e despes o vestido:
estás nua em frente a mim,
eu postro-me a teus pés
e os meus beijos
sobem o teu corpo, quente
as tuas mãos,
cada vez mais famintas,
puxam-me para cima,
despem o meu casaco,
tiram a gravata,
desapertam a camisa,
e tocam a minha pele
solto um gemido
com o teu toque frio
puxas-me
peito contra peito
carne contra carne
as tuas mãos,
a calma esquecida,
lutam com o cinto,
atiram-me as calças ao chão,
agarram-me
puxam-me para a cama,
e quebramos o silêncio
com prazer.
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