13.11.17

cerâmica & companhia

o azulejo como eu agora o vejo
partido, azul, combalido esbatido o esmalte
e gastas as linhas que formaram, um dia,
uma monografia monoteísta purista é
turista da existência maoísta da ciência
ponografista surfista egoísta
que daqui ao céu espaço nenhum dista
dadaísta e fadista, odalisca lista liceal
principe décimo terceiro da casa real
teve no seu sete o mote que remete à morte
a sua sorte, mais a sul do que a norte
foi o parafuso paradisíaco abandonado
que encontrou um dia a seu lado
numa praia em que nunca esteve, só ou acompanhado
mas ainda assim não deixou de lá ir
sorrir, esse azulejo como eu agora o vejo.

num lampejo lâmpada lamparina varina
acendeu-se em mim todo um fogo sem fim
e não sendo meu coração anti-inflamatorio
ardeu tanto e tão
rápido que não sobrou nada para o velório
excepto a chama chaga cama
que ilumina
e não termina
e, oh doce menina
vive para te aquecer
      com todo o seu ser

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