Um poema é amor,
nada mais do que amor,uma flor no cabelo,
de uma bela donzela,
uma folha amarrotada
ao chão atirada,
espezinhada,
esfaqueada,
morta,
sem valor,
amor.
Um sonho vivido,
uma memória sonhada,
um desejo escondido,
uma casa abandonada.
Poema é amor,
é dor.
Dor é também ela, amor,
pois tudo o é.
Perdido no espaço,
solto no tempo,
como o cabelo esvoaçante
de um anjo andante,
que voa sobre as estrelas,
perdido.
Amo-te folha branca,
com uma fúria,
que nasce do vazio,
do medo,
do frio.
Sou apenas a caneta
que nas minhas mãos escreve
Sonho sonhar um sonho
que quero acabar,
um desejo imenso,
de não morrer,
de para sempre
ser.
amor.
Amo-me,
com força e violência,
com fúria e disciplina,
preciso como uma agulha,
espeto a pena
no meu coração
para ver o sangue
cair no chão.
Morto.
Já não posso morrer mais
do que aquilo que já vivi,
morri.
morri eu ou
morreu o mundo
a minha volta?
Sou orfeu renascido,
lança no peito espetada,
braços caídos,
na chuva.
Sou um cigarro apagado,
um desejo esgotado,
uma sombra do que
brilha por cima.
Sou páginas
de gatafunhos,
rabiscados à pressa,
no meu leito final,
leite.
do cropo da alma
do frio
que me abraça,
que me ataca,
que me faz querer.
Eu quero.
Quero com todos os poros,
espirrar a minha alma,
sobre folhas brancas.
Doí ser eu,
tal como doí seres tu,
porque a vida é dor,
tal como o amor,
é poesia,
também eu morrerei
um dia.
(quero o fim mas não chega)
Óculos sobre a mesa,
vejo desfocado,
pois desfocado existo.
Doí.
Doí tanto que quero acabar
quero dormir,
mas ela canta dentro de mim.
Escrevo por necessidade,
nunca por vontade.
Rabisco a folha,
palavras sem fim,
sem nexo,
sem desejo.
Vontades tenho,
mas não as quero
mais do que quero
lavar o carro que não tenho.
Suspirando vou andando,
dor,frio,dor,frio,
choro lágrimas secas
por não ser
nada
do que quero
Nada.
Nada até lá chegares
pois aqui
não o vais encontrar.
Nexo? Não.
Palavras
atrás de palavras,
tenho medo.
De te perder, poesia
de me perder, poeta.
Sou poeta,
porque o quero ser.
Sou uma irritante comichão,
pulgas!
Em meu colchão.
Frio, dor, medo, poema.
Tudo é em si
nada mais do que é.
choro de novo,
lágrimas sem sal,
pois sou insonso
sem sabor,
sem razão,
sem querer.
Desejo.
Ah, como o desejo,
ao desejo.
Paro,
inspiro,
respiro,
Acabo?
estou morto.
Há muito que morri,
Porque será que
nunca me apercebi?
Não posso,
não quero,
mas não paro.
Sigo, em frente.
até chegar o dia,
em que mais caminho,
em frente não há.
nado oceanos,
vastidões imensas de nada,
corro desertos,
vastidões imensas de nada,
morro no fim,
porque a morte,
ah!
a morte,
essa chega,
sempre.Perdi.
Tudo e todos,
perdi.
Não aceito já o meu destino,
carrego,
insisto,
cHega.
Amor é poesia,
poesia é amar,
dor é medo,
medo é dor,
chega.
não quero mais continuar
Volto-me para dormir,
de cigarro nos lábios,
pois eu e a folha,
acabamos de foder.
1 comment:
II
Se poesia é amor,
escrever-la é foder.
III
declamar-la é pornografia.
IV
V
fotografia suja
qual playboy
da escrita.
VI
quero escrever até morrer
sem nunca,
nunca
nunca
pARAR!
VII
Chega!
Basta!
não quero mais,
quero fechar os olhos
e ser amanhã,
para fumar e beber
e mais rápido morrer.
(porquê a tristeza
porquê a dor,
porquê o desejo
de não ser?)
VIII
PAREI!
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