Fugimos da cor dos segredos
iluminados apenas pela sombra
que entre os nossos dedos escorre.
iluminados apenas pela sombra
que entre os nossos dedos escorre.
Ovelhas,
velhas ovelhas sebosas,
cai-nos o pelo pelas costas
e desescamamos o ser
em pétalas de fomos.
Sentados em bancos de jardim enferrujados
olhamos o amanhã com olhos cheios de
medo,
aterrorizados pelas gordas do jornal do dia,
fingimos ser apenas burros
que pastam do pão circense
e rezam a um qualquer deus.
Bebemos, fumamos, sniffamos, injectamos:
esquecemos,
desaparecemos entre os números das estatísticas
porque
amanhã é outro dia
o sol nasce de novo
o despertador toca de novo.
Engraxarei os sapatos,
farei a barba,
apanho o cabelo,
visto um dos fatos
e caminho, cigarro no canto dos lábios
em direcção ao metro.
A rotina não foge de nós,
por muito que possamos tentar
fugir de ela.
A rotina, deusa, senhora, mãe!
Ajoelhemos-nos ao tocar do alarme,
dois Horários do comboio Nosso,
um par de Avé Recorrências Diárias,
um sigilo de protecção sobre o relógio,
que ele nunca nos falhe!
Chegámos a ser deuses!,
a intangencialidade do supremo encarnada,
a potência das galáxias num envelope
de carne,
o sublime acto da criação
nascia do nosso mais pequeno pensamento!
Hoje,
escondemos-nos da cor dos segredos
e procuramos apenas
uma sombra que nos esconda
do sol do nosso potencial.
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