19.12.23

a última estação

era esse o mal do mundo, 
da babel mergulhada
no ócio do esquecimento,
uma psicose indiferente, 
uma tentação puxada a ferros,
um exagero divino

era essa a reminiscência subtil
do pecado original:
abdicar da mistificação do amor,
acreditar que a nitidez do sentimento
era não transubstancial,
que a metafísica do coração
eram apenas poemas de velhos bêbados

era na sexualidade incontinente
em que se apoiavam como bengala
qualificando-se apenas pela proeza
pela pujança, pelo seu numerus clausus,
que se refugiavam do real

na convicção inexorável de que
a patética herança da existência
era apenas a morte

no doméstico banal do carnal,
na superação contractual do básico, 
no desprezo racional ao sobrenatural,
em todas essas faces ele aparece, 
esse, o mal do mundo, fim do fundo, 
o núcleo escondido do adúlterio,
a porta do Apocalipse eterno,
o término fatal da criação. 

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