naquela casa,
o cheiro das maquinas e o crepitar da electricidade,
o peso da tecnologia,
um futurismo da alma que abraça o amanhã
e esquece o dia de hoje,
tudo isso escondia o suave lampejar das chamas
na lareira de tijolos de barro,
também ela ciência e futuro no passado
há monstros no céu,
mas esses nada assustam a quem no chão
existe
há paraísos na terra,
infernos ao acordar e
até um purgatório de se ser,
mas naquela casa
ouvem-se as máquinas, maquinando
e o ar é elétrico em espasmos de esperança
por uma mansão, palacete de pedra
cabana de canas, a cama camaleonica
onde dormem os sonhos da paz
nessa casa,
onde a luz brilha com estrondo
e as sombras escondem os medos,
nessa casa,
onde não há presente,
apenas futuro e passado,
nessa casa,
onde se finge que a existência é substância
e onde se sorri o esquecimento
nessa casa,
onde só nesgas de sol entram
e todos os cantos são escuros
e cada segundo demora uma eternidade
nessa casa,
onde poema é um nome
e amor um verbo
nessa casa
sorri-se a cada olhar
e choram-se todas as ausências
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