17.12.23

estereoscópica visão

 naquela casa,

o cheiro das maquinas e o crepitar da electricidade,

o peso da tecnologia, 

um futurismo da alma que abraça o amanhã

e esquece o dia de hoje, 

tudo isso escondia o suave lampejar das chamas

na lareira de tijolos de barro, 

também ela ciência e futuro no passado


há monstros no céu, 

mas esses nada assustam a quem no chão

existe


há paraísos na terra, 

infernos ao acordar e

até um purgatório de se ser,

mas naquela casa


ouvem-se as máquinas, maquinando

e o ar é elétrico em espasmos de esperança

por uma mansão, palacete de pedra

cabana de canas,  a cama camaleonica

onde dormem os sonhos da paz


nessa casa, 

onde a luz brilha com estrondo

e as sombras escondem os medos, 

nessa casa, 

onde não há presente, 

apenas futuro e passado,

nessa casa,

onde se finge que a existência é substância

e onde se sorri o esquecimento

nessa casa, 

onde só nesgas de sol entram

e todos os cantos são escuros

e cada segundo demora uma eternidade

nessa casa,

onde poema é um nome

e amor um verbo

nessa casa

sorri-se a cada olhar

e choram-se todas as ausências

No comments: