11.10.20

Ecclesiastes 12:14

 experimento a exclusão de existência:

indecência elevada ao expoente de ciência


estranho estar este, esdrúxulo e espesso

existir esquecido no extremo espaço negro

que fica entre o ontem e todos os amanhãs

que amanhecem, amanhados e amontoados

a um canto de um corredor caindo,

caindo como cometa,

correndo contra a crosta terrestre que têm

tudo, tanto teórico como prático

tanto tântrico como imediato, precoce,

percorre perto do preto porto perene

pedindo a deuses uma luz que o alumie

que acenda lugares, leitos, lentos lumes

lentamente queimam a cor perdida da palavra


sepulcros sem sepultados e masoleus

erguidos a quem nunca nasceu neste nada

neste vazio, esta pausa entre pausas,

este irritante espaço que fica entre tudo,

entre cada sorriso e entre cada lágrima,

entre cada palavra dita, omitida, desmentida

esquecida.


fel! Nojento fel que me escorre da boca

em forma de sílabas conjugadas em conjunto

atiradas umas às outras com uma pausa,

apenas para respirar e ganhar fôlego para

berrar mais ainda, para que

toda a minha raiva, todo o meu ódio,

tudo o que existe em mim de FÚRIA,

e este fel que escorre nojento da minha boca

não se acalma, não me acalma...


há cadeiras vagas que me olham nos olhos

como se alguém lá se sentasse e,

com divinas potências, me julgasse

Essas cadeiras vazias que me BERRAM

o quão inútil, ignóbil, indesejados sou

com uma voz vazia de som, esse silêncio

tão pesado.


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