numa praça árabe explode alguém
bazar de sangue e tripas pelo ar
e Deus, num café, jogando as cartas
numa casa de banho pública
uma criança chupa a pila a um velho
em troca de rebuçados
e Deus, num café, joga as cartas
numa esquina escura esfaqueiam
alegres e sorridentes
uma velhota daquelas fofas e inocentes
um marido bate na mulher
e sai para ir às putas foder
num bar cheio de fumo
jovens anarquistas planeiam
"plantar bombas em igrejas!
disparar bazookas sobre procissões!
veneno! numa fábrica de Coca-Cola!"
e, num café qualquer, Deus joga as cartas
na parte escondida de um recreio
crianças espancam crianças,
"és gordo caixa de óculos,
mereces morrer!"
um patrão chama a secretária
para lhe enfiar a mão na cona
enquanto ameaça despedir-la
um frustrado condutor de autocarro
passa mesmo sobre a poça de chuva
e acelera
encharcando quem por ele esperava
e Deus, num café, jogando as cartas
nos banheiros os presos fazem fila
para violar quem acabou de chegar
o guarda, de costas na porta, filma,
à noite terá material para se masturbar
depois da mulher se ir deitar
e jogando as cartas num café Deus está
o dono de uma cadeia de restaurantes
sorrindo ao ver quanto lucro mais terá
quando começar a cozinhar carne podre
nos seus famosos hamburgers
um madeireiro pega fogo a uma floresta
e foge dali para receber o dinheiro do seguro
e Deus num café a jogar as cartas
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