7.10.18

suéca

numa praça árabe explode alguém
bazar de sangue e tripas pelo ar

e Deus, num café, jogando as cartas

numa casa de banho pública
uma criança chupa a pila a um velho
em troca de rebuçados

e Deus, num café, joga as cartas

numa esquina escura esfaqueiam
alegres e sorridentes
uma velhota daquelas fofas e inocentes

um marido bate na mulher
e sai para ir às putas foder

num bar cheio de fumo
jovens anarquistas planeiam
"plantar bombas em igrejas!
 disparar bazookas sobre procissões!
 veneno! numa fábrica de Coca-Cola!"

e, num café qualquer, Deus joga as cartas

na parte escondida de um recreio
crianças espancam crianças,
"és gordo caixa de óculos,
 mereces morrer!"

um patrão chama a secretária
para lhe enfiar a mão na cona
enquanto ameaça despedir-la

um frustrado condutor de autocarro
passa mesmo sobre a poça de chuva
e acelera
encharcando quem por ele esperava

e Deus, num café, jogando as cartas

nos banheiros os presos fazem fila
para violar quem acabou de chegar
o guarda, de costas na porta, filma,
à noite terá material para se masturbar
depois da mulher se ir deitar

e jogando as cartas num café Deus está

o dono de uma cadeia de restaurantes
sorrindo ao ver quanto lucro mais terá
quando começar a cozinhar carne podre
nos seus famosos hamburgers

um madeireiro pega fogo a uma floresta
e foge dali para receber o dinheiro do seguro

e Deus num café a jogar as cartas

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