e a existência torna-se uma tira de tédio
pontilhada de pequenas explosões de raiva
um corredor sem fim
portas de felicidade trancadas, espalhadas.
as janelas dão para coisa nenhuma
e no entanto postro-me nelas
fumando esparsamente
uma anêmica mistura doente de poesia
e hipocrisia
não há chaves,
não há saídas,
não há aspirina para a dor de cabeça
que nasce na mente
sou apenas tão irreal como todos os outros
mas sinto-me menos ainda
que aqueles que mortos já não sofrem
inteiras Babilônias e Atlântidas
(é sempre esdrúxula a civilização morta)
nascem e morrem em cada segundo do meu ser
crescem e caiem num inspirar
as suas ruínas cheias de areia
são tudo o que me resta para ver.
espero.
não conheço meta alguma para esta corrida
mas não me aceito parado,
não me aceito voltando atrás,
não me aceito desistindo,
se futuro houver, será à frente que ele está
dói-me o corpo, rimando ele assim com a alma,
de certo modo parece-me bem,
se não sentisse o mesmo por fora
como saberia que o sinto mesmo cá dentro?
aguento, a fita chegará ao fim,
se antes ou depois de mim
cabe aos deuses saber.
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