27.6.18

o rei poeta apaixonara-se pelo deserto
pelo sol inclemente descendo sobre as dunas
e pelo brilho das estrelas sobre o negro mar
de areia

sobre um camelo
procurando um oásis,
uma pausa abençoada,
da desolação por si amada

o rei poeta declama,
enterrado até à cintura na areia quente,
canta ao seu deus
agradecendo a benção dos djinns
e os tormentos por eles infligidos

o rei poeta adormece
numa tenda que parece flutuante
garridas cores frescas esvoaçando
em bandeiras estreladas

o rei poeta sonha
com estradas e carros
prédios e fábricas
multidões negras de passo apressado
e ao acordar

o rei poeta apaixona-se
de novo
pelo deserto
pelos cavalos e as tendas
pela areia sem fim
que ondula como água
até onde os olhos vêem

o rei poeta não acorda,
dorme para sempre.

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