6.1.13

Eu não esqueci.

lembras-te?
de nos perdermos nas horas,
contemplando um futuro que seria nosso
e ninguém nós poderia tirar?

lembras-te?
de sonharmos acordados,
de mãos dadas e corpos enroscados,
deitados numa cama que se tornou demasiado grande?

lembras-te?
éramos poetas e filósofos,
mestres e aprendizes, senhores do tempo sem fim,
mandávamos na morte,
mandávamos no frio,
mandávamos no universo,
que começava nos teus seios
e acabava na minha virilha.

Lembras-te?
Éramos felizes,
e nada nos poderia afectar,
éramos felizes,
e nada nos faria parar.

Lembras-te?
Éramos guerreiros,
não conhecíamos nem frio nem fome,
correndo planícies e masmorras
em busca de um demónio para matar.

Lembras-te?
Sentados, cada um para seu lado,
escrevíamos nos cadernos o que as palavras não chegavam para dizer.

Eu não esqueci.

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