sonhas com o impossível,
na tua torre de ébano negro,
sentado num trono de papel,
comandas hostes imaginárias
procurando
e nunca encontrando
o sagrado graal da emoção.
não gostas,
eu também não,
mas que podemos fazer
se é este o fado
que Deus deu
à nossa mão?
Naquela noite surreal
ouvi-te respirar,
senti-te tremer de excitação
e cá dentro
bem fundo
apertou-se-me o coração
ao saber-nos tão irreais.
querias-te algo que não és,
desejavas ser comandante do teu destino,
mas amigo, aprende,
ninguém o é,
nem deitado,
nem de pé.
Sim, minto,
obscuro,
oculto,
escondo-me em palavras vãs,
versos inconsequentes,
rabiscos encolhidos em bolas de lixo,
mas não mentimos todos?
Seria mais verdadeiro,
se fingisse não fingir?
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