não existe poeta hoje em dia
que não sofra com a sua alegria.
A escuridão a morte o drama
são as cores da nossa vida,
quem vai connosco para a cama,
é quem dita a medida.
(poema sem rimar
é carro sem andar,
mas deixará de ser carro,
se as rodas não o moverem
do lugar?)
nada faz sentido,
nada nunca fez.
poema não existe,
poeta nenhum Deus fez.
Querer é poder,
escrever é matar
,assassinar ideias,
mutilar desejos.
Nada faz sentido,
nada nunca fez.
Não sei que tema usar
para este poema continuar
por isso vou inventar
e deixar-me rimar..
Tudo o que é,
um dia não foi,
tudo o que é,
um dia não será.
tudo o que foi,
um dia deixará de ser,
se não tiver já parado,
se não o deixarmos morrer.
Não há história verdadeira,
há boatos com certezas,
há pistas plausiveis,
há mentiras a cada canto.
Ciume é feio,
feio de morrer.
Mas se é assim,
porque temos de o ter?
"Continuar sempre mais um pouco"
é este o mote para mim,
se bem que paro assim que começo,
por não querer acabar.
(terei eu medo do fim,
que inevitavelmente chega?
Terei eu medo do novo inicio,
entre chamas e labaredas?)
Parar é morrer.
não é FPS mas quase,
escrever sem parar,
escrever sem destino,
escrever sem direcção,
escrever sem tema,
escrever sem vida.
Morrer um dia todos morremos,
esperemos, oh esperemos,
que esse dia não chegue!
continuar, continuar, continuar.
Tenho fome de comida,
tenho fome de tabaco,
tenho fome de tudo o que não posso ter.
Desejo-me morto,
para não poder morrer,
mas desejo-me vivo,
para poder viver..
Carregar em tecla após tecla,
riosamente carregar,
poema é morte,
morte é parar!
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